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Papa Francisco se reúne com 6 vítimas de abuso cometido pelo clero

O Estado de S. Paulo

07 Julho 2014 | 09h 20

Três homens e três mulheres da Alemanha, da Inglaterra e da Irlanda ouviram pedido de perdão do pontífice

Atualizada às 20h34

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco recebeu nesta segunda-feira, 7, no Vaticano, seis vítimas de abuso sexual cometido por membros do clero e pediu perdão pelos pecados de omissão dos líderes da Igreja. Em missa restrita na Casa Santa Marta, ele usou uma “linguagem muito dura” contra as violações, segundo a Santa Sé.
O santo padre dirigiu sua mensagem a três homens e três mulheres da Alemanha, Inglaterra e Irlanda, cujas identidades não foram reveladas.
“Peço perdão pelos pecados de omissão por parte dos líderes da Igreja que não responderam adequadamente às denúncias de abuso apresentadas por parentes e por aqueles que foram vítimas de abuso, isto levou a um sofrimento adicional àqueles que foram abusados e pôs em perigo outros menores que estavam em situação de risco”, afirmou Francisco.
Cada uma das vítimas teve uma audiência privada com o papa. “Este é um passo importante em um caminho positivo de saneamento e reconciliação para o futuro”, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.
Francisco chegou a implorar por perdão. Foi sua mais forte declaração sobre o escândalo. “Eu peço pela graça de chorar, pela graça para a Igreja chorar e fazer reparações por seus filhos e suas filhas que traíram sua missão, que abusaram de pessoas inocentes. Hoje, estou muito grato por vocês terem vindo de tão longe para estar aqui”, disse Francisco em sua homilia.
“Me causa dor o fato de que padres e bispos, abusando sexualmente de menores de idade, violaram a sua inocência e a própria vocação deles. São mais do que ações desprezíveis. É como um culto sacrilégio, porque esses meninos e meninas tinham sido confiados aos padres para serem trazidos a Deus”, disse o papa.
Promessa. Francisco havia anunciado que se reuniria com vítimas de abusos sexuais quando voltava de viagem à Terra Santa, em 27 de maio. Na ocasião, ele disse à imprensa que não toleraria esse tipo de abuso. As declarações do pontífice ocorreram depois de a Organização das Nações Unidas (ONU) ter afirmado que considerava que o Vaticano havia violado a Convenção contra a Tortura nos casos em que poderia ter impedido os abusos sexuais, mas não o fez, e nas ocasiões em que nem investigou nem denunciou os crimes.
O cardeal de Boston, Sean O’Malley, uma das cidades onde os escândalos de abusos ganharam destaque, participou do encontro no Vaticano. 
No mês passado, o Vaticano expulsou o arcebispo polonês Jozef Wesolowski, embaixador do papa na República Dominicana, condenado por abusos sexuais.