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Papa pede perdão por abusos sexuais cometidos por sacerdotes contra crianças

Agências internacionais

11 Abril 2014 | 09h 32

Pontífice disse que Igreja Católica não dará 'nenhum passo atrás' ao abordar esta questão

Atualizada às 21h14   CIDADE DO VATICANO -  O papa Francisco disse nesta sexta-feira, 11, que ele assume responsabilidade pessoal pelo "mal" dos padres que estupraram e molestaram crianças, pedindo perdão de vítimas e dizendo que a Igreja deve ser ainda mais ousada em seus esforços para proteger os jovens.

Os comentários improvisados de Francisco foram o mais recente sinal que ele se sensibilizou para a gravidade do escândalo dos abusos, após ser criticado por grupos que representam vítimas por uma suposta falta de atenção e compreensão sobre o dano que isso causou à Igreja e aos seus integrantes.

No mês passado, o papa nomeou os primeiros integrantes de uma comissão que vai aconselhá-lo nas melhores práticas para combater abuso sexual na Igreja. O painel vai abordar o tema crítico de sanções a bispos que acobertam pedófilos.

O papa deu a declaração aos integrantes do Escritório Internacional Católico da Infância (Bice, na sigla em francês), uma rede francesa de organizações que protegem direitos de crianças. Sentado com eles em sua biblioteca nesta sexta, Francisco falou lentamente, deliberadamente e suavemente em seu nativo espanhol, desviando de seu texto preparado.

"Me sinto impelido a tomar responsabilidade pessoal por todo o mal que alguns padres, muitos em número - embora não em comparação com a totalidade - em assumir responsabilidade pessoal e pedir perdão pelo dano que eles causaram pelo abuso sexual de crianças", disse o pontífice.

Nenhum papa jamais tomou responsabilidade pessoal pelas dezenas de milhares de crianças que foram molestadas por padres ao longo das décadas, conforme bispos os transferiam de paróquia em vez de denunciá-los à polícia. O papa João Paulo II (morto em 2005) denunciou os padres que abusam de crianças, dizendo que não havia lugar para eles no sacerdócio. O papa Bento XVI (que renunciou no ano passado) expressou lamentação e arrependimento com as vítimas, se encontrou com elas e até chorou. Mas nenhum dos dois pediu perdão como Francisco.

Comissão. Metade dos oito membros da comissão nomeada por Francisco no mês passado é composta por mulheres. Uma, delas, a irlandesa Marie Collins, foi atacada por um padre quando criança. Marie já havia cobrado que Bento XVI pedisse perdão pessoalmente pelo escândalo.

O Vaticano informa que, agora, ela e os outros conselheiros vão esboçar estatutos da comissão e examinar as "responsabilidades e deveres" dos integrantes da Igreja, uma sugestão de que eles podem assumir a questão crítica de disciplinar bispos coniventes. A lei canônica prevê sanções para bispos negligentes, mas até agora nenhum foi punido por proteger abusadores.

Francisco nomeou os integrantes da comissão no mês passado, após ser criticado por não tomar ação desde que o painel foi anunciado, em dezembro. Grupos de vítimas também se irritaram, pois ele não se encontrou com sobreviventes de abusos sexuais e disse à imprensa que a Igreja foi injustamente atacada sobre o tema.

Reação. Nesta sexta, ao saber da declaração do papa, o principal grupo de vítimas dos Estados Unidos, a Rede de Sobreviventes de Pessoas Abusadas por Padres (Snap, na sigla em inglês), disse que esperava mais. "Nós pedimos aos católicos do mundo: se impressionem com atos, não palavras", escreveu a diretora da entidade, Barbara Dorris. "Até que o papa tome ações decisivas que protejam as crianças, continuem céticos e vigilantes."

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