Para advogado de Verônica Serra, PT encomendou ou foi conivente

"Ou o comando da campanha de Dilma Rousseff encomendou ao jornalista colheita ilícita desses dados ou foi conivente com os crimes por ele cometidos porque efetivamente Amaury (Ribeiro Jr.) integrou a equipe de inteligência do PT", desabafou o advogado Sérgio Rosenthal, que representa Verônica Serra e o marido dela, Alexandre Bourgeois.

Bruno Tavares e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

Rosenthal, experiente criminalista, promove investigação paralela à da PF desde que se descobriu a invasão dos dados fiscais da filha e do genro do presidenciável José Serra (PSDB). O jornalista Amaury Ribeiro Jr. nega atividades ilícitas, mas admitiu em depoimento que frequentava a casa do Lago Sul onde os arapongas do PT se reuniam.

O advogado observa que Amaury deixou o jornal O Estado de Minas em 16 de outubro do ano passado, apenas alguns dias depois de ter obtido cópias de declarações de rendas de Verônica e de Alexandre - o acesso aos documentos dela ocorreu em 30 de setembro de 2009 na Delegacia da Receita de Santo André e aos dele oito dias depois na Agência do Fisco de Mauá por meio do uso de procurações falsas.

"Ele (Amaury) saiu do jornal para compor a equipe de inteligência da campanha de Dilma porque já dispunha dos dados sigilosos ou ingressou no grupo para oferecer o que havia obtido de forma ilegal", aponta Rosenthal. "De uma forma ou de outra é um tapa na cara da democracia."

Sobre a frase atribuída a Amaury de que tinha "dois tiros fatais contra Serra" - expressão usada por ele em reunião da inteligência petista -, o criminalista avalia: "Um tiro certamente era o sigilo devassado de diversos tucanos, como Eduardo Jorge. O outro tiro, provavelmente, era relativo à quebra de dados de Verônica e do marido. Mas o tiro saiu pela culatra."

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