Para analistas, eleitor está mais ''calejado''

O eleitor está mais calejado que em outras eleições e já não se deixa levar pelas promessas feitas no calor eleitoral. É a análise de cientistas políticos ouvidos ontem pelo Estado. Para eles, o efeito negativo é que o eleitor se afasta ainda mais da política. "Parece jogo de pôquer, um oferece um lance, o outro dobra. Depois não se sabe por que a imagem dos políticos está como está", disse o cientista Carlos Melo. O eleitor, segundo ele, percebe quando são promessas para arrecadar votos. "As intenções de voto não se alteraram em função disso. Pena que os políticos ainda não perceberam que o eleitor está mais crítico."

, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

Para o pesquisador Amaury de Souza, as promessas envolvem despesas, mas os candidatos não dizem de onde virá o dinheiro. "Realizar tudo o que foi prometido no quadro atual será aumentar de forma explosiva o déficit público." Ele lamenta a falta de propostas concretas para substituir os programas distributivos como o bolsa-família. "Não podemos levar um programa como esse até o fim dos tempos, precisamos de uma porta de saída, mas ninguém falou nisso."

O cientista Marco Antonio Teixeira vê as promessas como fruto da disputa eleitoral e não da reflexão sobre um programa de governo. Alguns candidatos adotam propostas diferentes do próprio discurso. "É o desespero para ter voto e não ficar fora."

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