Para Beltrame, polícia de SP é mais 'preparada' que a do Rio

Secretário de Segurança do Rio comenta fato de Estado ter passado São Paulo em número de homicídios

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2008 | 13h13

O Secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou nesta quinta-feira, 9, que a polícia paulista está mais capacitada que a polícia fluminense devido aos investimentos feitos em mais de uma década. "Doze anos depois de começar a investir em capacitação do policial, na melhoria da qualidade de vida do policial e em tecnologia, São Paulo hoje colhe estes frutos", afirmou Beltrame após conhecer o blindado Vespa, projeto de viatura blindada do Centro Tecnológico do Exército, que já recebeu o apelido de "Caveirinha".   Veja também: A íntegra do 2º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública  Em 2007, País gastou R$ 34,9 bilhões em segurança    A declaração foi feita após o secretário ser questionado sobre o fato de o Rio ter superado São Paulo em homicídios dolosos no ano passado, conforme apontou a segunda edição do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao visitar os sistemas de inteligência de São Paulo na semana passada, o secretário já havia dito que "a polícia de São Paulo serve de exemplo para o Brasil inteiro, pois cumpre com a função primordial de um Estado no combate à violência: trata a questão da Segurança Pública com seriedade" e disse que queria fazer algo semelhante no Rio de Janeiro para "quebrar paradigmas".   Beltrame disse que desconhece a metodologia utilizada na pesquisa e negou que a alta taxa de homicídios dolosos tenha relação com a sua "política de enfrentamento". Segundo ele, as ocorrências deste tipo de crime estão caindo no estado. "Os índices de homicídio diminuem e o que nos interessa é esta tendência de diminuição. Há muito o que fazer, mas mostramos que o norte que pretendemos estabelecer está dando resultados em relação a este ilícito", afirmou o secretário.   A Assessoria de Comunicação da Secretaria de Segurança, através de nota, contestou o dado divulgado pelo estudo que aponta que o Rio investiu apenas R$ 150 mil em informação e inteligência. "Somente o Centro de Inteligência da Secretaria e do Centro de Comando e Controle consumiu R$ 160 milhões, dos quais cerca de 2% são contrapartida do Estado aos recursos federais, ou seja, R$ 3,2 milhões. Além disso, foram investidos mais de R$ 4 milhões em outros setores de inteligência. O investimento total do Estado em 2007 gira em torno de R$ 47 milhões", disse em nota enviada.   A antropóloga e ex-presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio, Ana Paula Miranda, contestou o secretário. "A tendência de queda no Rio é pequena. A taxa de homicídios é estável e oscila entre 42 e 46 casos por 100 mil habitantes. Pesquisadora do Instituto Pereira Passos, ela fez um estudo, com base nos dados do ISP e da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que indica que na capital o Rio também superou São Paulo em homicídios. Foram 2.336 assassinatos contra 1.538 ocorrências na capital paulista em 2007. No entanto, o mesmo levantamento, entre janeiro e março deste ano, aponta que aconteceram 630 homicídios dolosos em São Paulo e 583 no Rio.   A pesquisadora disse que concordava com a análise de Beltrame sobre os resultados dos investimentos na polícia de São Paulo, mas avaliou que as prioridades da Secretaria de Segurança Pública do Rio não mudaram, conforme afirma o secretário. "As áreas de informação e de inteligência continuam não sendo prioridade e isso aparece nos índices, que mostram uma estratégia meramente repressiva", disse a antropóloga referindo-se ao alto índice de mortes de criminosos e policiais em confrontos.   Texto atualizado às 19h30 para acréscimo de informações

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