Para cardeais e bispos, há muito ‘a se pensar’

O cardeal d. Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero, classificou como extraordinário o fato de o papa Francisco ter dado uma entrevista tão longa e tão objetiva no voo de volta a Roma, porque ele abriu o coração sobre o rumo para onde quer conduzir a Igreja.

José Maria Mayrink,

30 Julho 2013 | 23h33

Ao tocar em pontos como a reforma da Cúria, a questão dos gays e a situação da segunda união de católicos divorciados, segundo d. Claudio, o papa mostra estar disposto a encarar com coragem os desafios enfrentados pela Igreja. "A referência aos gays não foi o mais importante, mas indica que a Igreja quer aprofundar questões atuais", disse o cardeal. O mesmo vale para a discussão sobre os casais separados que partiram para um novo casamento e são impedidos de receber o sacramento da eucaristia, embora possam participar da comunidade paroquial.

Para o cardeal d. Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de Salvador, é preciso pensar muito na entrevista de Francisco, especialmente sobre alguns temas mais delicados, como a realidade dos gays. "O papa disse que é preciso compreender (os gays), sem dizer que eles podem agir de acordo (com sua orientação sexual)."

"No caso dos casados em segunda união, o papa não falou que podem receber a eucaristia, não falou diretamente, mas se entende que deva ser examinado cada caso", adverte d. Geraldo. O exame da situação poderá sugerir que os divorciados recorram aos tribunais eclesiásticos, que analisarão a validade do casamento feito na Igreja.

Com relação à reforma da Cúria, o cardeal observa que essa é uma aspiração antiga que poderá ter uma solução agora, com a criação do grupo de oito cardeais nomeados pelo papa para apresentar sugestões. "Nós, os cardeais, estamos enviando nossa contribuição para a reforma", revelou d. Geraldo.

Carismáticos. O bispo de Santo Amaro, d. Fernando Figueiredo, também se entusiasmou com a entrevista no avião. "Ele falou sem volteios, de maneira simples, clara e direta, respondendo cada questão com objetividade, porque tem compromisso com a verdade e fidelidade ao Evangelho", disse.

D. Fernando não estranha que o papa Francisco tenha comparado as celebrações dos carismáticos à coreografia de uma escola de samba (comparação da qual o papa se arrependeu, conforme declarou), porque também ele fazia restrições ao movimento, quando era professor de Teologia em Petrópolis.

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