Para dirigente, regras de rateio são normais

Luigi Nesse, do Codefat, diz que o Estado de SP abriu mão do dinheiro para a intermediação de mão de obra

Marta Salomon e Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

O rateio do dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) segue uma espécie de lei da oferta e procura, alega o presidente do Conselho Deliberativo do FAT (Codefat), Luigi Nesse. Ele nega que o repasse favoreça aliados políticos do governo e do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. "Os critérios são baseados nas demandas dos Estados, municípios e entidades."

Luigi Nesse sustenta que o Estado de São Paulo abriu mão do dinheiro disponível para a intermediação de mão de obra. Mas está instalada na cidade de São Paulo a maior agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine) do País, bancada com dinheiro do fundo.

Essa agência foi a destinatária da maior fatia de recursos do programa, explica a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos, que assumiu recentemente o papel que foi desempenhado inicialmente pela Força Sindical, comandada pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, do PDT. O presidente da entidade, Clementino Tomaz Vieira, não foi localizado.

Segundo o Ministério do Trabalho, a confederação conseguiu colocação para 47.694 trabalhadores em 2009. O repasse teria sido proporcional à "qualidade" da proposta apresentada, afirma o assessoria de Lupi.

Ainda de acordo com o ministério, em 2009, foram colocados no mercado de trabalho com recursos do FAT 1.076.248 trabalhadores. Isso significa um custo de R$ 46 por trabalhador empregado.

No Paraná, recordista entre os Estados na liberação de recursos, a média ficou próxima de R$ 119 por trabalhador alocado. A Secretaria de Trabalho paranaense afirmou que as demandas do Estado por intermediação superavam o valor liberado. O governo do Paraná negou ligação política com o ministro Carlos Lupi como motivo de o Estado encabeçar a lista dos maiores beneficiados com recursos do FAT.

A Prefeitura de Guarulhos, maior beneficiária entre os municípios, também negou motivação política. Por escrito, informou que os projetos contemplados são objeto de análise técnica de viabilidade por parte do governo federal.

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