Para gravar novelas, globais já trocam avião por ônibus

Globo estuda criar um serviço temporário de fretamento

Sérgio Duran, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2026 | 00h00

Até a produção de novelas da TV Globo foi afetada, mesmo que discretamente, pelo caos aéreo. Segundo a Central Globo de Comunicação, alguns atores estão usando ônibus para se locomover de São Paulo para o Rio. A emissora estuda criar um serviço temporário de fretamento, mas ainda não definiu como ele funcionará. Indignada com a crise, a atriz Irene Ravache viaja semanalmente de São Paulo para o Rio, onde grava cenas da novela Eterna Magia, exibida às 18 horas. Na semana que vem, pode ter de usar o ônibus. "A questão, para mim, não é trocar de meio de transporte, mas de postura", protestou. "Porque um dia deixamos de cobrar, preferimos pagar escolas particulares e a educação do País virou piada. Da mesma forma, optamos por pagar planos de saúde e o setor desmoronou. O que faremos agora, vamos comprar aviões?" Segundo a atriz, seu maior medo, nos aeroportos, não é viajar de avião. "Fico preocupada em dar de cara com um político que seja meu fã e queira falar comigo. Não sei como vou reagir", afirmou. "O circo está pegando fogo. Na década de 60, pegamos em armas para mudar a situação porque pensávamos que ninguém se importava conosco. E agora? Eu acho que está na hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor." Após a entrevista, por telefone, a atriz pediu desculpas pelas "declarações a mais", mas disse estar sob o efeito das declarações de um membro do governo federal, na TV, que afirmou que as passagens aéreas deveriam ficar mais caras para garantir maior segurança aos vôos. "Estou indignada. Primeiro porque não sabia que corríamos tantos riscos", disse Irene. "O que a gente vê são máscaras caindo e o despreparo de pessoas como a ministra (do Turismo, Marta Suplicy)." ESCRITÓRIO NA DUTRA Quem não pode contar com um fretado, mas vive entre as duas maiores cidades do País, se viu obrigado a improvisar. Empresário do ramo de entretenimento e da internet, Luís Calainho, de 41 anos, contratou um motorista e montou um escritório dentro do carro, para encarar a Via Dutra. A maratona rodoviária começa na semana que vem. Calainho é morador de Ipanema, no Rio, onde fica de sexta a segunda-feira, e Moema, em São Paulo, endereço dele de terça a quinta-feira. Nesta semana, o empresário experimentou Viracopos. "Saí do Rio às 18 horas e cheguei na minha casa em São Paulo às 2 horas, ou seja, oito horas depois. De carro, levaria quatro horas e meia." Segundo ele, a tecnologia o ajudará a fazer do carro a extensão de seu escritório. "Posso conectar meu laptop e trabalhar, na estrada, até as 20 horas, mais ou menos. E ainda será possível descansar um pouco."

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