Ayrton Vignola/AE-17/11/2010
Ayrton Vignola/AE-17/11/2010

Para ''lavar'' fusão, PDB será testado nas urnas

Idealizado como janela para troca-troca, novo partido busca quadros para disputa em 2012

Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

09 Março 2011 | 00h00

Apelidado de "partido ônibus", onde entra qualquer um, o PDB está sendo idealizado pelo prefeito Gilberto Kassab de modo a fugir da pecha de mero trampolim para o troca-troca partidário. A ideia é consolidar o Partido da Democracia Brasileira nas eleições municipais de 2012 com o lançamento de candidaturas próprias ou com coligações. Um dos principais parceiros deve ser o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Kassab planejou fundar o PDB como atalho para sair do DEM e se filiar ao PSB, com riscos mínimos de ver a manobra contestada por infidelidade partidária. A estratégia inicial era fundir o PDB com o PSB. Diante das reações negativas aos planos de Kassab e de Campos, a proposta é que o PDB se credencie como partido e dispute uma eleição antes de definir seu rumo.

Além de evitar eventuais contestações na Justiça, os socialistas estão confiantes de que com essa tática vão conseguir "segurar" quadros importantes. É o caso da deputada Luiza Erundina (SP), que ameaça deixar o partido, caso o PSB se una ao PDB de Kassab. "Vou lutar para ficar no PSB. Mas, se for concretizada essa fusão com o PDB, não tenho condições de permanecer no partido", avisa Erundina.

A um ano e sete meses das eleições municipais, os idealizadores do PDB buscam agora lideranças políticas dispostas a entrar na disputa por prefeituras ou por uma vaga nas Câmaras Municipais. A expectativa é de que uma dezena deputados do DEM acompanhe Kassab no novo partido. Um deles deverá ser Irajá Abreu (DEM-TO), filho da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que sonha disputar a Prefeitura de Palmas.

Outro que deve tomar o mesmo rumo é o vice-governador da Bahia, Otto Alencar (PP). Na próxima semana, Kassab pretende ir a Salvador para encontrar-se com Alencar.

A ideia é tentar montar o PDB nos municípios menores da Bahia. Em Salvador, o partido fecharia com o PT do governador Jaques Wagner, com o PSB da senadora Lídice da Mata e apoiaria o deputado petista Nelson Pelegrino para a prefeitura da capital.

Tática. A estratégia dos kassabistas é trazer lideranças políticas que estão desconfortáveis em seus partidos e convencê-las a turbinar a nova legenda para a disputa nas eleições municipais do ano que vem.

Kassab está em busca desses políticos. Ele próprio deverá concretizar sua saída do DEM no dia 15, data de uma convenção extraordinária do partido.

Assim que se desfiliar, Kassab começará um giro pelo País em busca de filiados. Ainda na segunda quinzena deste mês, ele vai se reunir com o governador do Amazonas, Omar Aziz (PMN), que estaria interessado em ingressar na nova sigla. Outro que estuda trocar o PMN pelo PDB é o senador Sérgio Petecão, do Acre.

Na Câmara, a expectativa é de que Kassab leve para o PDB duas dezenas de deputados - cerca de dez do DEM e o restante proveniente de várias siglas.

Depois de se desentender por razões familiares e eleitorais com o líder Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), o deputado Paulo Magalhães (BA) está de malas prontas para deixar o DEM e ir para a nova sigla. O deputado Fernando Torres (DEM-BA) deverá acompanhá-lo.

Alvos. O PSC, o PMN e o PV são alvos do novo partido. Os deputados Silas Câmara (PSC-AM), Antonia Lucia (PSC-AC) e Fábio Ramalho (PV-MG) estariam dispostos a trocar de sigla. Até deputados do PMDB insatisfeitos com o pragmatismo do partido estariam de olho no PDB.

Não falta, porém, quem condene com veemência o plano de Kassab, visto como uma janela informal para driblar a fidelidade partidária. "Deveria se chamar Partido da Desfaçatez Burocrática. É uma vergonha usarem isso só para trocar de partido", ataca o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

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