Para Lula, petista deve mostrar 'indignação' em caso Erenice

Seguro de que Dilma teria de responder perguntas sobre sua ex-auxiliar, [br]presidente orientou candidata no debate

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2010 | 00h00

Foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o autor da estratégia adotada por Dilma Rousseff (PT) no debate de domingo da Rede TV! em relação à ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. Na semana passada, Lula disse à candidata do PT que ela não demonstrava "indignação" ao falar de Erenice e parecia passar a mão na cabeça da ex-auxiliar.

Dilma treinou várias vezes a resposta sobre Erenice, certa de que seria questionada sobre o assunto. "As pessoas erram e Erenice errou. Considero a questão de Erenice com muita indignação", afirmou a petista, recorrendo até à mesma palavra usada pelo presidente.

A tática foi repetida ontem, em entrevista da candidata ao Jornal Nacional, da TV Globo. Ex-ministra da Casa Civil, Dilma aposta agora no efeito bumerangue para voltar a acusação contra o candidato do PSDB, José Serra, e dizer que, enquanto o governo Lula "investiga e pune", o tucano "acoberta e não pune". Trata-se de uma referência ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, suspeito de ter desviado doações da campanha do PSDB.

Nos bastidores, porém, Dilma admite que o escândalo envolvendo Erenice - acusada de nomear amigos e parentes que comandaram um esquema de tráfico de influência no gabinete próximo ao presidente - pesou mais para a realização do segundo turno do que a polêmica do aborto.

Convencido de que a crise na Casa Civil tinha alto potencial de desgaste, o marqueteiro João Santana foi um dos maiores defensores da demissão de Erenice, ocorrida em 16 de setembro. "Aquilo tudo foi muito doloroso para Dilma. Ela confiava em Erenice e ficou muito machucada", contou o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho.

Dirceu e São Paulo. Embora a candidata destaque a agilidade do governo na investigação sobre o caso Erenice, a Casa Civil adiou ontem por mais um mês os trabalhos da Comissão de Sindicância que apura as acusações contra a ex-ministra.

Na prática, a ordem no Palácio do Planalto é deixar tudo o que possa alimentar a crise e provocar embaraços a Dilma para depois da eleição do dia 31.

O governo também reforçou o aviso para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu ficar quieto até o fim da campanha. No comitê petista, pesquisas mostram que Dirceu é sempre associado ao escândalo do mensalão, de 2005, e causa desgaste a Dilma.

Levantamentos em poder do PT indicam, ainda, que Dilma está perdendo votos para Serra em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. Não foi à toa que ela deu uma cotovelada quando o tucano disse que os candidatos do PT passavam o tempo todo falando mal de São Paulo.

Na primeira reação, a mineira Dilma - que fez sua carreira política no Rio Grande do Sul - afirmou ter "admiração especial" pelos paulistas e tentou carimbar o adversário como "pretensioso".

Provocada pela segunda vez por Serra, ela adotou tom mais incisivo. "Não confunda o povo paulista com as falhas do seu governo. O povo paulista é honrado e trabalhador. Não merece ser tratado assim", alfinetou.

Serra bateu na tecla paulista de caso pensado. Dilma investirá no Sul e Sudeste, com atenção especial a São Paulo e Minas, nesses últimos dias de campanha.

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