Para refutar boatos, PM caça manifestante que atirou coquetel molotov contra policiais

Nas redes sociais, circula informação de que o homem seria um policial militar infiltrado

Marcelo Gomes e Heloisa Aruth Sturm, O Estado de S. Paulo

25 Julho 2013 | 16h24

RIO - Agentes da Coordenadoria de Inteligência (CI) da Polícia Militar do Rio estão analisando minuciosamente todas as imagens gravadas durante o protesto da última segunda-feira, 22, nas imediações do Palácio Guanabara, que terminou em confusão após a cerimônia de recepção ao papa Francisco na sede do governo do Estado. O objetivo é identificar quem jogou o primeiro coquetel molotov contra a barreira de policiais a fim de esclarecer boatos que circulam nas redes sociais de que o manifestante seria um policial militar infiltrado. Na ocasião, dois PMs foram atingidos por um dos artefatos lançados, e ficaram com queimaduras pelo corpo.

Policiais lotados na CI contaram ao Estado que a identificação do manifestante tornou-se a prioridade número um do setor neste momento. O sentimento é que a corporação tem sido acusada injustamente de iniciar os confrontos e está perdendo a "guerra virtual" travada nas redes sociais para grupos que organizam as manifestações. "A intenção dos policiais à paisana é apenas filmar quem se infiltra nos protestos para cometer crimes. Depois essas imagens são analisadas e tentamos reconhecer os vândalos. Obviamente que nós podemos fazer prisões em flagrante, mas tem que ser feito com muito cuidado, já que podemos ser linchados pela multidão", disse um policial do Serviço Reservado, também conhecido como P-2, que aceitou falar sob anonimato.

A PM voltou a negar nessa quarta-feira, 24, em nota, que os policiais à paisana que aparecem nas imagens da manifestação de segunda-feira sejam os autores do ataque à tropa com coquetéis molotov. Segundo a nota, "é uma hipótese absurda imaginar que um policial possa cometer um ato bárbaro contra um companheiro de farda. A PM não compactua com desvios de conduta e tem demonstrado isso nos últimos anos". A corporação disse ainda que "os policiais da Inteligência atuam para identificar autores de crimes tais como agressões contra pessoas e bens públicos e privados".

Um dos vídeos que mostram a ação foi divulgado pela própria Polícia Militar. Nas imagens, um homem encapuzado e vestindo calça de cor branca e camiseta preta com estampa aparece lançando o primeiro explosivo em direção aos policiais. É este o homem que os agentes da Inteligência estão tentando identificar.

Em outro vídeo, de 12 minutos de duração, postado em redes sociais, o universitário Bruno Ferreira Teles, de 25 anos, foi preso, acusado de portar coquetéis molotov. Nas imagens, um PM o acusa de ser o responsável pelo lançamento do primeiro artefato contra a barreira da polícia, que deu início ao conflito. No entanto, fotos e outros vídeos de momentos antes da confusão mostram o rapaz vestindo moletom e calça jeans escura, e sem portar mochila. Teles foi solto na tarde de terça-feira, após habeas corpus concedido pela Justiça do Rio. Um dos PMs que o prenderam afirmou à Polícia Civil que não havia nenhum coquetel molotov com o estudante no momento em que ele foi preso.

 

Em um terceiro vídeo divulgado na internet, dois homens que estavam em meio aos manifestantes atravessam sem dificuldades a barreira da Polícia Militar, e trocam de camisa. Ativistas acusam estes dois homens, que seriam policiais, de terem arremessado o artefato contra a barreira policial com o objetivo de iniciar o confronto e justificar a reação da PM com bombas de efeito moral para dispersar a manifestação.

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