Parlamentar pode perder posto em comissão

Líderes querem que PMN substitua Jaqueline na comissão da reforma política; defesa de Arruda diz que esquema é antigo

Denise Madueño e Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

05 Março 2011 | 00h00

O líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), defendeu ontem o afastamento imediato da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) da comissão especial de reforma política da Câmara, após revelação de vídeo, divulgado em primeira mão pelo estadão.com.br, que mostra a parlamentar recebendo um maço de dinheiro do ex-secretário Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa.

"Liminarmente, até prova em contrário, ela se descredencia a participar de uma comissão que vai tratar de um tema importante como a reforma política. Ela está sob forte acusação e naturalmente fica com limitações no exercício do mandato", afirmou Alencar. O líder do PSOL argumentou que o partido tem de tirar as funções relevantes exercidas pelo parlamentar quando há questionamento público, com fortes indícios de prática criminal ou de ação incompatível com o decoro, independentemente de abertura de um processo de cassação. "O partido dela tem de tomar uma providência imediata de tirá-la da comissão especial de reforma política. Por causa desses esquemas e procedimentos é que precisamos fazer uma reforma política profunda."

Presidente do DEM, partido atingido pelo escândalo que derrubou o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, Rodrigo Maia (RJ) também defendeu o afastamento da deputada da comissão especial. "É uma forma até de ela poder cuidar de sua defesa", diz o parlamentar. Maia afirmou que o vídeo indica que o mensalão do DEM teria começado antes do governo de Arruda, que saiu do partido após o escândalo ter vindo a público.

Defesa. A defesa do ex-governador seguiu o mesmo raciocínio ao comentar o teor da gravação. "O vídeo da Jaqueline comprova que o esquema de corrupção do qual Durval fazia parte existia no governo Roriz", disse o advogado Cristiano Maronna, que defende Arruda no inquérito que corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo Maronna, o vídeo "reforça a tese de que Arruda tentou acabar com o esquema, mas foi derrubado pelos interessados na sua manutenção".

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