Parques colocam idosos para malhar

Modernos aparelhos de ginástica são instalados em áreas verdes de SP

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

18 Março 2009 | 00h00

Em menos de um mês, a rotina do aposentado Ercio Martins, de 70 anos, mudou bastante. Três vezes por semana, ele faz exercícios no recém-inaugurado Parque Zilda Natel, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Ele não usa as radicais pistas de skate, que dão fama ao parque, mas os dez equipamentos de ginástica projetados especialmente para a terceira idade, que simulam movimentos de caminhada, cavalgada, barco a remo, esqui e surfe. "Uso quase todos os aparelhos e acho muito bom. Faço os exercícios ao ar livre e não preciso pagar uma academia", comemora, em boa forma, o morador da Vila Madalena. Os equipamentos também foram instalados no Parque do Povo, no Itaim-Bibi, na Praça Victor Civita, em Pinheiros, e na Praça Esther Mesquita, em Higienópolis. A ideia das academias ao ar livre é bem recente e começou no segundo semestre do ano passado. "Fui a Pequim, no início de 2007, e vi esses aparelhos em muitos parques e praças como parte da preparação da cidade para a Olimpíada", conta André Graziano, coordenador de Áreas Verdes da Secretaria das Subprefeituras e idealizador do projeto. "Nossa população está envelhecendo e as áreas verdes levam em conta apenas as crianças, não os idosos." Mas os aparelhos de baixo impacto têm atraído crianças e jovens, como o estudante Eduardo Khamis Stefanelli, de 14 anos, que frequenta o Parque do Povo. "Venho à tarde, depois da escola, quando é mais tranquilo", diz. Os mais velhos, no entanto, são contra. "As crianças usam os aparelhos de ferro como brinquedo e podem se machucar", diz a aposentada Albertina de Almeida Foux, de 65 anos. Segundo a Prefeitura, até agora nenhum acidente foi registrado. Outra ressalva é quanto à falta de figuras ilustrativas. Nos parques, duas placas indicam apenas os benefícios de cada movimento e o uso acaba sendo um tanto intuitivo. "Acredito que deveria ter um instrutor", diz a aposentada Albertina - medida que a Prefeitura pretende colocar em prática a médio prazo. "Com o acompanhamento, o benefício seria maior. Deixaria de ser uma brincadeira e se tornaria um exercício, de acordo com as necessidades de cada usuário, com maior rendimento", diz Graziano. Segundo ele, a secretaria planeja instalar uma academia ao ar livre em, pelo menos, uma praça de cada subprefeitura. O problema é que não há como fazer uma licitação de concorrência, porque apenas duas empresas oferecem as peças, enquanto a lei exige, no mínimo, três. É por isso que, até agora, os equipamentos foram doados. O custo de instalação de dez aparelhos fica em torno de R$ 20 mil. EXERCÍCIOS E BRINCADEIRAS Uma escada para dedos. Uma espécie de maçaneta para girar o pulso. Subir degraus e descer por uma rampa. Sentar e levantar. Os aparelhos de ginástica do Parque Dr. Fernando Costa, mais conhecido como Água Branca, podem parecer uma grande brincadeira. Mas foram especialmente projetados para garantir fortalecimento e flexibilidade muscular. O projeto foi elaborado pelo médico nefrologista Egídio Dórea, da Universidade de São Paulo (USP), inspirado no Parque del Retiro, em Madri, na Espanha. "Um terço dos brasileiros entre 65 e 74 anos já sofreu alguma queda", diz o médico. O Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo (Fussep), mentor do projeto, pretende levar a ideia para outros parques do Estado. "Cerca de dois terços dos frequentadores do parque é da terceira idade. Nós testamos com eles as funções de cada equipamento", diz o diretor técnico do local, Antonio Teixeira. Os aparelhos são feitos com madeira tratada de eucalipto de reflorestamento. Os exercícios podem ser feitos em sequências aleatórias e o próprio idoso estabelece seus limites. Outra preocupação é estimular a sociabilização entre os frequentadores. Os aposentados Mauri Marques da Silva, de 71 anos, e Paulo Roberto Gryzinsky Grillo, de 62, aprovaram a novidade. Ambos moram em Perdizes, não se conheciam, mas acabaram engatando um animado bate-papo enquanto se exercitavam. Outro ponto positivo é a imensa área verde. Bem melhor que se exercitar em um local fechado, não? Parque Zilda Natel: Avenida Doutor Arnaldo com Rua Cardoso de Almeida, Perdizes Parque do Povo: Avenida das Nações Unidas, Itaim-Bibi Praça Victor Civita: Rua Sumidouro, 580, Pinheiros Praça Esther Mesquita: Rua Rio de Janeiro com Rua Eng. Edgar Egydio de Souza, Higienópolis Parque da Água Branca: Avenida Francisco Matarazzo, 455 FRASES Ercio Martins Aposentado "Uso quase todos os aparelhos (do Parque Zilda Natel) e acho muito bom. Faço os exercícios ao ar livre e não preciso pagar uma academia" André Graziano Coordenador de Áreas Verdes "Nossa população está envelhecendo e as áreas verdes levam em conta apenas as crianças, não os idosos"

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