Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Patrono da Beija-Flor é preso no Rio um mês após operação contra jogo do bicho

Anísio estava com policial civil que fazia sua segurança; defesa diz que ele era 'glacê do bolo' da polícia

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2012 | 19h48

RIO - O bicheiro e patrono da escola de samba Beija-Flor, Aniz Abrahão David, o Anísio, foi preso no início da tarde desta quarta-feira, 11, em Copacabana, na zona sul do Rio, dois dias após o Tribunal de Justiça revogar o habeas corpus que garantia a liberdade dele. Além dos crimes ligados a contravenção, Anísio foi preso em flagrante por formação de quadrilha armada, pois estava acompanhado por um policial civil armado que fazia sua segurança.

A prisão ocorreu quase um mês após a Operação Dedo de Deus da Polícia Civil, deflagrada para prender contraventores. Com diagnóstico de arritmia cardíaca, Anísio ficará preso no Hospital Psiquiátrico Penal, em Bangu, na zona oeste da cidade. Ele foi detido na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana e Joaquim Nabuco, quando deixava um laboratório de exames médicos.

Anísio estava em um carro Sandero acompanhado pelo policial civil Pedro Cardoso Almeida, que estava armado com uma pistola 9 mm oficial e dois carregadores, e de um homem identificado como Maurício Oliveira. No veículo foram encontrados R$ 7.698 e US$ 180 em espécie. Lotado na Delegacia de Roubos e Furtos, o policial é irmão de Paulo Cardoso de Almeida, ex-presidente da Liga das Escolas de Samba (Liesa). Todos foram indiciados por formação de quadrilha armada. O policial responderá a inquérito administrativo e pode ser demitido.

O contraventor teve a prisão decretada pela Justiça no dia 15 de dezembro, após a deflagração da operação Dedo de Deus da Polícia Civil, que já cumpriu 44 dos 60 mandados de prisão. No dia 24 de dezembro, os advogado dos bicheiro conseguiram um habeas corpus. No entanto, na segunda-feira, o desembargador Paulo Rangel revogou a liberdade de Anísio, de Luiz Pacheco Drummond , Luizinho Drummond, patrono da Imperatriz Leopoldinense e Hélio Ribeiro de Oliveira, o Helinho, da escola de Samba Grande Rio.

Ao deixar do prédio da Chefia de Polícia Civil, no centro do Rio, o bicheiro saiu dentro da viatura policial. A Secretaria de Administração Penitenciária não soube informar para que cadeia o contraventor foi levado. Ubiratan Guedes, advogado de Anísio, afirmou que aguardará o julgamento do mérito da prisão pela 3ª Câmara Criminal antes de recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça.

'Glacê do bolo'. O advogado classificou a prisão de "uma violência contra o estado democrático de direito". Ele classificou de "desnecessária" e "cinematográfica" a procura pelo bicheiro em sua cobertura, em dezembro do ano passado, quando os policiais desceram de rapel de um helicóptero até o imóvel.

"Anísio seria o glacê do bolo que a polícia fez. Sem glacê ninguém come bolo. Por isso ele foi preso, para enfeitar o bolo", ironizou. Em 1993, o bicheiro foi condenado junto com Luizinho Drummond e outros nove contraventores por formação de quadrilha. Em 2007, ele foi preso duas vezes pela Polícia Federal na Operação Hurricane. Em 2008, o bicheiro foi detido pela Operação 1357 da PF.

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