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PCC mata quatro em guerra de facções em SP

Agencia Estado

04 Abril 2006 | 21h 53

O Primeiro Comando da Capital (PCC) atraiu cinco homens e uma mulher da facção rival Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC) para uma armadilha. Seqüestradas, pelo menos quatro vítimas foram mortas a machadadas. Para isso, a facção contou com a ajuda de um traidor no CRBC. As vítimas foram dominadas na sexta-feira, 31, numa churrascaria em Guarulhos, Grande São Paulo, e mantidas num cativeiro. De lá, o grupo foi levado à Serra da Cantareira para ser assassinado. A polícia achou nesta terça-feira os corpos de quatro homens na mata, em Parada de Taipas, zona norte de São Paulo. A mulher continua desaparecida. Tudo o que se sabe sobre o caso se deve ao relato de Daniel Cesar Batista da Silva, de 26 anos, sobrevivente do massacre. Silva fingiu-se de morto após levar um golpe de machado na cabeça. Ele saiu da cadeia em dezembro e contou ter cumprido pena na Penitenciária Parada Neto, em Guarulhos, dominada pelo CRBC, assim como os quatro mortos. Suspeita-se que a ação do PCC seja uma vingança ligada à disputa pelo tráfico de drogas. Os responsáveis pela investigação decidiram manter discrição. "Há essa notícia, mas tudo ainda é prematuro", disse o delegado Armando de Oliveira Costa Filho, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Emboscada A cilada começou com o convite aos membros do CRBC para participar de um roubo. O grupo foi a uma churrascaria, onde acabou sendo dominado. As seis vítimas foram levadas ao barraco de uma favela na zona norte. Ficaram ali até segunda-feira, quando os reféns foram postos em dois ou três carros e levados pelo PCC até a Avenida Fernando Mendes de Almeida. Todos desceram dos carros e seguiram a pé por uma trilha na mata. Depois de 40 minutos de caminhada, os criminosos deixaram a trilha e levaram as vítimas para trás de pedras. Os homens, que estavam amarrados, foram obrigados a deitar antes de serem golpeados com o machado. Silva recebeu um golpe no lado direito da cabeça, que provocou afundamento do crânio. Fingiu-se de morto e esperou a partida dos assassinos. Ele andou pela mata e chegou à avenida, onde achou uma equipe da Polícia Militar. Silva contou sua história sobre as mortes, e o Comando de Operações Especiais (COE) iniciou na segunda-feira as buscas, mas teve de interrompê-las às 23 horas. "A escuridão nos impediu de prosseguir", disse o tenente-coronel Flávio Jari Depieri, do 3º Batalhão de Choque, subordinado o COE. Pela manhã, a polícia retomou as buscas e, às 9 horas, os quatro corpos foram achados. "Estavam muito mutilados", disse o tenente-coronel. Ao lado deles, havia duas garrafas com gasolina, o que levou a polícia a desconfiar que os bandidos queriam atear fogo nos corpos. Em poucas horas, os policiais acharam três carros e duas motocicletas em Parada de Taipas que podem ter sido usados pelos bandidos, entre eles um Golf. Três delegados foram ouvir à tarde o depoimento do sobrevivente no hospital em que ele está internado. Identificação Silva contou aos policiais quem eram os mortos. O primeiro era Marco Antonio da Silva, o Marquito. Os demais ele conhecia como Gordinho, Marcelo e Carreteiro. Suspeita-se que este último seja Valdemir Dias de Oliveira, que saiu da prisão de Andradina, controlada pelo CRBC, em 2005. A mulher desaparecida era a companheira de Marquito. Silva foi operado pela manhã. Os médicos estavam otimistas em relação à recuperação do paciente, mantido sob escolta policial.

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