''''Perdoei e amei até o fim'''', diz ativista de ONG

No Brasil, a maioria das mulheres com aids contraiu o HIV dos companheiros. Como M., que resolveu levar o caso à Justiça. Ou a telefonista Silvia Almeida, que continuou com o marido até ele morrer. "Cada parceiro tem sua parcela de culpa. A infecção pelo HIV não é a mesma coisa que dar um tiro. E me preocupa recriminar e prender. São mais de 20 anos de aids no mundo e não sabemos quem são os culpados", afirma Silvia, de 43 anos. "Perdoei e amei meu marido até o fim. Ele não era só um doente de HIV, era pai, o homem que eu amava. Nenhum de nós saiu à rua querendo entrar na estatística", diz Silvia, que tem dois netos. Ativista da organização não-governamental Grupo de Incentivo à Vida (GIV), que apóia soropositivos, ela já comandou grupos de mulheres. Silvia reconhece que na ONG não eram comuns casos de "perdão", como o seu. "Eram discussões acaloradas: ?Ele foi o culpado!? E eu dizia: ?Vamos parar com essa coisa de vítima.?" Dos 433.067 casos registrados de portadores do HIV no País, 32,8% são de mulheres. Em 1986, para cada mulher infectada havia 15,1 homens com o vírus. A proporção mudou radicalmente: hoje é de 1,5 homem para cada mulher.

O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

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