Periferia de São Paulo concentra jovens católicos

Pastorais da juventude e abrigos de peregrinos em bairros distantes têm o maior contingente de grupos que vão para o Rio

Adriana Ferraz, de O Estado de S. Paulo,

20 Julho 2013 | 17h07

 É da periferia de São Paulo que deve sair o maior número de jovens católicos que vão à Jornada. Ali estão muitas das pastorais da juventude e dos abrigos dos peregrinos estrangeiros que vieram ao País para a JMJ. A esse contingente se deve somar outro numeroso: o dos jovens de movimentos leigos da Igreja, como os Focolares, o Opus Dei e Comunhão e Libertação.

 

“Vamos em um grupo de 2,6 mil jovens para o Rio. É mais do que reunimos em nossas pastorais aos fins de semana. Com o Francisco, mais gente se animou a participar”, diz a publicitária Aline Brito, que coordena o setor na Diocese de São Miguel Paulista, na zona leste.

 

Só em sua região há 80 grupos, que reúnem cerca de 2 mil jovens aos fins de semana. “Aqui, a renovação carismática é muito forte. É uma característica das regiões mais pobres, como a nossa.” Mesmo assim, a participação caiu cerca de 30% nos últimos dez anos. 

 

“Hoje, observamos que o que mais mobiliza os jovens são os movimentos de massa, como a Jornada. Temos sorte em termos sido escolhidos para receber o papa”, diz o coordenador pedagógico Magno Duarte.

 

Assim como o número de católicos, o de grupos de jovens também encolheu nas paróquias de São Paulo. Só 40% delas contam com uma Pastoral da Juventude (PJ) organizada e atuante. Dados das dioceses da capital mostram que a maior parte dos grupos está na periferia, e não se alimenta só de religião. O trabalho social e a música são os principais atrativos.

 

As características da periferia ajudam a explicar a divisão da juventude católica. Os bairros do extremo da zona sul, por exemplo, reúnem 140 dos 260 grupos de jovens da cidade. São pessoas na faixa etária dos 14 aos 30 anos que passam boa parte dos fins de semana dentro da igreja simplesmente porque não têm outra opção de lazer.

 

Quando o trabalho de base é forte, a atuação da PJ pode até extrapolar os muros da paróquia. Foi o que aconteceu com 25 jovens da Paróquia São José Operário, na zona sul. Em 2004, eles fundaram a Comunidade Cidadã, uma ONG que promove oficinas a 250 jovens da comunidade. Na semana passada, eles comemoraram a visita de 40 peregrinos que visitam o País por causa da JMJ.

 

Para Eliane Gouveia, do núcleo Religião e Sociedade da PUC-SP, o vínculo formado na Igreja ajuda o jovem a criar identidade. “Na periferia, parte dos movimentos sociais é capitaneada pela Igreja, o que torna essa relação ainda mais forte.”

Mais conteúdo sobre:
papa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.