Perillo e Íris disputam eleição tensa

Empate técnico na última pesquisa Ibope acirra rivalidade entre velhos rivais; tucano[br]venceu no 1º turno

Rubens Santos, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

A disputa pelo governo de Goiás deverá ser decidida hoje voto a voto e ofuscar, no Estado, a eleição presidencial. Após uma campanha marcada por confrontos, Íris Rezende (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB) chegam ao segundo turno com empate técnico, de acordo com a última pesquisa Ibope. Outros institutos dão vantagem para o tucano, que venceu no primeiro turno com vantagem de 300 mil votos. Por isso, o clima é de tensão.

Trata-se de uma nova disputa entre velhos personagens. Começou em 1998, virou o século e ainda mexe com os goianos, apesar da ameaça de abstenção, estimada em 20%, por causa do feriado prolongado. Íris, de 76 anos, deixou o cargo de prefeito de Goiânia para se candidatar. Perillo, senador de 47 anos, é apoiado pelo governador Alcides Rodrigues (PP).

"Íris Rezende é competente, conhece Goiás como ninguém e ama o seu povo", afirmou o sisudo Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC), no horário eleitoral gratuito que acabou ontem. Meirelles entrou na política - chegou a ser eleito deputado federal - por insistência do tucano Marconi. Mudou para o PMDB e, como Lula, pediu votos para o Íris e a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.

Apoios como o de Meirelles mudaram os rumos das campanhas de Íris e Marconi e, por tabela, os números das pesquisas. "O Marconi é o mais competente e mais preparado para mudar o futuro de Goiás", afirmou o candidato tucano Presidência, José Serra.

Otimismo. Apesar do empate técnico da última pesquisa Ibope - registrada no TRE sob o protocolo 36428/2010 -, Perillo mantém o otimismo. O tucano tem 46% das intenções de voto contra 45% de Íris. A margem de erro é de 3%, para mais ou para menos. No primeiro turno, Perillo recebeu 46,33% dos votos e o peemedebista, 36,38%

O equilíbrio acirrou a tensão e rivalidade entre os dois candidatos. A eleição aponta para mais um acerto de contas entre o grupo do velho guerreiro Íris e os chamados rebeldes - aqueles que se afastaram do domínio "irista" nos anos 90. O grupo é liderado justamente por Marconi Perillo, que praticamente já trilhou todos os caminhos de Íris - porém, em menos tempo: nasceu no PMDB, hoje, é tucano.

Os dois dividem até a maçonaria goiana. Mas aglutinam membros das igrejas, principalmente a Católica e o segmento evangélico dos pentecostais, que se definiram pró-Marconi Perillo e José Serra ou pró-Íris Rezende e Dilma Rousseff.

Nos últimos dias de campanha, os dois candidatos disputaram até nas frases de efeito: "Quero fazer o melhor governo da minha vida", disse Íris. "Vou fazer, não o melhor governo da minha vida, mas o melhor governo da vida e do povo de Goiás", rebateu Marconi.

Paralelamente, as duas campanhas aproveitaram a mobilização do segundo turno para fazer campanha para os dois candidatos na disputa presidencial de hoje. Na eleição de hoje estão aptos a votar mais de 4 milhões de eleitores goianos em 1.245 urnas de 246 municípios.

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