Pérsio Arida, ex-presidente do BC, foi indiciado pela Satiagraha

Em agosto, PF enquadrou economista, que foi diretor do Opportunity Fund nos anos 90, por quadrilha e evasão

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

24 Março 2011 | 00h00

O economista Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, está entre os indiciados pela Polícia Federal na Operação Satiagraha. Diretor do Opportunity Asset Management entre agosto de 1996 e março de 1999, Arida foi enquadrado por suposta evasão de divisas, quadrilha e gestão fraudulenta.

O indiciamento ocorreu em agosto de 2010. À PF, Arida não se esquivou das indagações formuladas. Ele foi depor sozinho, sem advogado. Alguns ex-colaboradores do grupo relataram que o economista teve participação importante na área de captação do fundo. Doleiros do caso Banestado - evasão de US$ 30 bilhões - também depuseram nos autos.

A PF indiciou ainda 42 cotistas do fundo. Arida foi indiciado como gestor do fundo do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity e alvo da Satiagraha, desencadeada em 2008.

A Satiagraha está sob suspeita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Dois ministros já votaram pelo trancamento do caso sob alegação de que arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) atuaram ilegalmente no inquérito.

A divulgação sobre o indiciamento de Arida coincide com o julgamento do STJ. "Essas investigações correm em segredo de Justiça e, além disso, tem a sua validade questionada na 5.ª Turma do STJ onde já existem dois votos pela declaração de sua nulidade", reagiu o criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça e defensor de Arida. "De todo modo, o dr. Pérsio Arida tem absoluta convicção de que não praticou nenhuma conduta que pudesse ser tida como ilícita."

O Opportunity informou em nota ter solicitado 13 vezes à PF acesso ao inquérito, sem êxito. "A vedação do acesso ao inquérito, sem razão, só pode ser vista como uma maneira desonesta de encobrir ilegalidades na sua condução."

Na avaliação do Opportunity, a Satiagraha "foi pautada por iniciativas espúrias, os mentores da operação usaram o Estado para encobrir o fato de terem desrespeitado um sem-número de leis".

"Valeram-se de um circo midiático e de provas fraudadas para atender a interesses privados", destaca o texto. "É estranha a sincronia entre a divulgação desse inquérito da PF com a obtenção, pelo Opportunity, de uma liminar judicial para impedir a destruição de provas em um processo que corre na 3.ª Vara Federal e investiga os verdadeiros interesses que nortearam as ações dos responsáveis pela Satiagraha."

A assessoria informa que, em 16 de julho de 2007, a 3.ª Vara Criminal do Rio arquivou investigação sobre o Opportunity Fund "por falta de justa causa para a propositura de ação penal". Em agosto de 2007, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, instância máxima administrativa, arquivou processo da Comissão de Valores Mobiliários.

"O Opportunity Fund atua de forma idêntica aos demais 9.231 fundos das Ilhas Cayman. Enquanto o Opportunity Fund é investigado de forma abusiva e ilegal, outros fundos de investimentos administrados por brasileiros em Cayman, de forma exatamente igual ao Opportunity, são ignorados pela PF, pelo Ministério Público Federal e pelo juízo de primeira instância."

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