Petista ajusta programa para tentar neutralizar desgaste

Dilma lançará seus ''13 compromissos'', em que incorpora defesa da democracia, da liberdade de imprensa e de religião

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2010 | 00h00

Em mais uma tentativa de neutralizar a discussão sobre o aborto, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, lançará na próxima semana Os 13 Compromissos de Dilma com o Brasil. Pronto desde o primeiro turno, o programa de governo resumido começou a receber ajustes para incorporar a defesa da democracia, da liberdade de imprensa e de religião.

Alvo de uma saraivada de críticas nesses três temas, o PT quer aproveitar agora o lançamento do documento para sair da defensiva. Em reunião da Executiva Nacional do PT, realizada ontem, dirigentes do partido cobraram a rápida divulgação do programa.

"Queremos repelir a guerra suja de quem tenta pôr a religião como centro da disputa eleitoral", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra, em estocada ao candidato do PSDB, José Serra. "O Estado é laico e é inadmissível que um país moderno coloque essa guerra como grande tema do debate." Na reunião da Executiva, que contou com a presença do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu - abatido no rastro do escândalo do mensalão -, as opiniões se dividiam sobre como mexer no vespeiro da interrupção da gravidez.

Para o secretário de Assuntos Institucionais, Geraldo Magela, aborto nunca foi tema de disputa presidencial e o PT precisa mobilizar militantes nas ruas para defender Dilma, que, na sua avaliação, está sendo vítima de uma "campanha sórdida". "O aborto deve ficar no submundo da campanha, de onde nunca deveria ter saído", insistiu Magela.

A pregação pela liberdade de imprensa será destacada no programa de Dilma para abafar o conflito do governo com a mídia, que ganhou proporções ainda maiores no primeiro turno da eleição. De qualquer forma, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, está na Europa para conhecer os modelos de regulação da imprensa. O Palácio do Planalto pretende apresentar um projeto de regulação da mídia ao Congresso ainda este ano, entre o fim de novembro e o início de dezembro.

A plataforma de Dilma também abordará o modelo de Estado, questão que provocou polêmica na primeira rodada da disputa. Dilma defende o "Estado forte e ativo", mas afirma que a proposta não pode ser confundida com reestatização de empresas privatizadas, como acusam os tucanos.

O comando da campanha quer, ainda, usar a capitalização da Petrobrás como trunfo. "Vamos debater nesse segundo turno as políticas sociais, o modelo de Estado, qual foi o papel da Petrobrás e quem foi a favor e contra a privatização dessa empresa", disse o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que tirou férias para se dedicar à campanha.

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