Petista queria lançar apenas metas na TV para evitar polêmica

Dilma Rousseff (PT) resistiu o quanto pôde para lançar formalmente um programa de governo, que, na prática, é uma carta de intenções, com 13 compromissos genéricos. Se dependesse apenas dela, o PT apresentaria somente metas na propaganda eleitoral do rádio e TV para evitar polêmica com a imprensa escrita.

Bastidores: Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2010 | 00h00

Cobrada pelos partidos que apoiam sua candidatura à Presidência, no entanto, Dilma não teve escolha. O PMDB do vice Michel Temer (SP) foi um dos que mais se queixaram do atraso na divulgação das propostas.

Tudo estava pronto desde o primeiro turno, mas o PT passou a tesoura em pontos que provocaram polêmica na campanha, como o controle social dos meios de comunicação. Além disso, para contornar o mal-estar com a mídia e com cristãos, por causa da polêmica do aborto, a equipe de Dilma jogou luzes na defesa da democracia e na "garantia irrestrita" da liberdade de imprensa, de expressão e religiosa.

Nem todos, porém, ficaram satisfeitos com o resultado. Os aliados foram avisados na última hora da reunião-almoço com Dilma, ao meio-dia de ontem. Tudo foi tão às pressas e improvisado que não havia nem mesmo cópias do programa para todos.

A candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou apenas 20 minutos com os presidentes dos partidos da coligação e não esperou o almoço. A portas fechadas, fez um discurso para afagar os aliados e acalmar os ânimos daqueles que se sentiram isolados na campanha e reclamaram da primazia do PT.

Dilma disse que o programa de governo juntou 11 siglas, criando a "base" para uma nova coalizão governista. O presidente do PC do B, Renato Rabelo, admitiu, no entanto, que apenas "uns seis ou sete partidos" se interessaram pela confecção da plataforma.

Rabelo expôs ali, com todas as letras, o que muitos confessaram nos bastidores. "Esse programa já deveria ter sido apresentado antes, mas a campanha foi levada para o terreno da despolitização", criticou. Para ele, temas econômicos ficaram de fora por falta de consenso. "Estamos vivendo uma guerra cambial seriíssima e as medidas tomadas até agora são paliativas. Qualquer governo que assumir terá de tomar providências", insistiu o comunista.

Sem esconder a contrariedade com perguntas sobre a diferença entre o plano de Dilma - considerado superficial até por seus apoiadores - e as antigas plataformas de Lula, mais detalhadas, o coordenador do programa de governo, Marco Aurélio Garcia, disse que o texto era sucinto porque "ninguém mais lê".

Fiel colaborador de todos os programas de Lula, Garcia afirmou que alguns repórteres estavam ali apenas para procurar "pegadinhas" no documento assinado por Dilma. "Aqui estão os 13 compromissos programáticos de Dilma Rousseff para debate na sociedade brasileira. Se vocês quiserem outro nome, criem um partido e façam diferente", esbravejou.

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