PF faz operação contra pedofilia em 11 Estados

A Polícia Federal realizou nesta terça buscas em São Paulo e mais dez Estados para desmantelar uma poderosa rede internacional de pedofilia (exploração sexual de crianças) pela internet, um dos crimes que mais crescem no Brasil e no mundo. A operação, batizada de Azahar, foi realizada simultaneamente em outros 24 países e os resultados serão divulgados depois de amanhã pelo governo espanhol, que comandou as ações, com a ajuda da Interpol e dos demais governos. Dado pelos espanhóis, o nome Azahar significa, em árabe, flor de laranjeira, que na cultura muçulmana simboliza a pureza da virgem. Nenhum país relacionado na prática de pedofilia é de domínio muçulmano. Em contrapartida, sobram nações ocidentais, sobretudo da Europa e das Américas. Somente nos Estados Unidos, onde funciona uma das maiores redes de pedofilia do mundo, e na América do Sul, sobretudo Brasil e Argentina, a operação atingiu 130 alvos suspeitos de exploração sexual de crianças e adolescentes pela internet. No Brasil, a pedofilia foi gravemente amplificada com a facilidade de difusão impune via internet. A situação chegou a tal ponto que tornou-se problema de segurança pública e preocupação estratégica da PF, que está estruturando uma divisão de crimes cibernéticos, com foco na prostituição infanto-juvenil. Esta já é a terceira grande operação realizada por esta divisão da desde o ano passado e até agora mais de cem pessoas foram presas, indiciadas ou investigadas. Os vídeos, filmes e materiais apreendidos envolvem na maior parte menores aliciados para a prática de sexo pervertido. "São cenas abjetas, indescritíveis. Fico com o estômago embrulhado toda vez que vejo essas imagens", disse o delegado Adauto Almeida Martins, que comanda a divisão de crimes cibernéticos da PF. Chama a atenção também a amplitude do problema e a diversidade de perfil dos criminosos. "A pedofilia cresce assustadoramente em todas as classes sociais do País, sem distinção de gênero, cor ou religião", constatou Adauto, que defende uma tomada de posição urgente das instituições e autoridades constituídas do País. As leis são frágeis e insuficientes e a capacidade de fiscalização do Estado é muito fraca. As investigações começaram em 2005, depois que a polícia espanhola notificou as autoridades brasileiras sobre a existência de um grupo de pessoas que trocam imagens pornográficas de menores, um crime previsto no Estado da Criança e do Adolescente. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal no Rio de Janeiro. Em junho de 2005, a Operação Anjo da Guarda cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em oito estados, nos quais foram recolhidos material de informática, fitas e CD´s contendo pornografia infantil. Na ocasião, foi preso o professor de lutas marciais Anderson Luís Juliano Borges Costa, de 33 anos, por ter produzido, divulgado e trocado no exterior, via internet, 350 mil imagens de atos sexuais com menores. Em sua segunda fase, em agosto, a operação prendeu cinco pedófilos em outros Estados, quatro delas no Paraná. Em São Paulo, a PF também apreendeu grande quantidade de material pornográfico em poder de um advogado de um dos mais importantes escritórios da capital. Seu nome permanece mantido em sigilo porque o material apreendido ainda está sendo periciado. Só no escritório, foram recolhidos 453 disquetes, 419 fitas VHS e 134 CDs com imagens, fotos e cenas inteiras de atos sexuais com adolescentes e crianças a partir de 3 anos.

Agencia Estado,

21 Fevereiro 2006 | 20h23

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