PF investiga se houve ajuda de policiais no esquema de Abadía

Plano ia de extorsão mediante seqüestro de autoridades até organização de assaltos e fuga em Campo Grande

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2008 | 20h32

A Polícia Federal analisa se houve colaboração de policiais e agentes penitenciários com o esquema criminoso, montado pelos narcotraficantes Fernandinho Beira-Mar e Juan Carlos Ramirez Abadía, no presídio federal de Campo Grande (MS), onde estão presos. Desmantelado na última segunda-feira pela Operação X, com a prisão de quatro pessoas, o esquema incluía desde extorsão mediante seqüestro de autoridades e seus familiares até organização de assaltos e fuga em massa.   Veja também: Após denúncia de achaque, quadrilha vai para RDD em cadeia Diretor do Depen confirma plano de fuga de Abadía e Beira-Mar Após aviso de 'colaborador', Magno Malta pede proteção policial Diplomacia e barreiras jurídicas empacam estradição de Abadía   Um dos objetivos do esquema, articulado com a cumplicidade de dois grandes assaltantes de banco, também presos no local, era aterrorizar juízes que atuam nos seus processos, como o corregedor Odilon de Oliveira e autoridades com poder de atrapalhar os negócios milionários dos bandidos fora da prisão. Segundo a PF, novas prisões nos próximos dias não estão descartadas. Os nomes das autoridades e outros alvos das ações são mantidos em sigilo por razões de segurança e por determinação judicial.   A PF não descarta, porém, que entre os alvos estariam parentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Justiça, Tarso Genro, citados em ligações telefônicas, interceptadas com autorização judicial, entre os bandidos, seus advogados e familiares envolvidos no esquema. Mas desconhece que em qualquer momento da investigação tenha encontrado alguma ameaça ao senador Magno Malta (PR-ES) ou seus parentes.   Na última terça-feira, o senador denunciou em entrevista coletiva ser um dos alvos de supostas ameaças de seqüestro de Beira-Mar. Na ocasião, Malta apresentou um informante encapuzado, que detalhou as circunstâncias da suposta ameaça. Proibido por ordem judicial, o delegado Elzio Vicente da Silva, encarregado do inquérito, recusou-se ontem a dar qualquer informação sobre a operação à imprensa e também comentá-la no depoimento que prestou à CPI do Grampo, da Câmara.   As prisões dos acusados no esquema aconteceram todas na segunda-feira. A operação foi desencadeada pela PF em parceria com o Ministério Público Federal, depois de cinco meses de investigações. A segurança do presídio foi reforçada e o regime prisional dos envolvidos severamente endurecido.   De acordo com a investigação, Abadía e Beira-Mar usaram os advogados e familiares de grupos criminosos diversos, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) para executar o plano do lado de fora do presídio. As ações ocorreriam em São Paulo, Rio e Mato Grosso do Sul.   Ivana Pereira de Sá foi detida quando visitava o ex-marido, Beira-Mar, na prisão. Em Nova Andradina (MS), a PF prendeu Leonice de Oliveira, de 35, e Leandro Oliveira dos Santos, de 18, familiares de João Paulo Barbosa, de 27, um dos ladrões de bancos que cumprem pena no local. Em São Paulo, a PF prendeu uma peça-chave do esquema, o advogado Vladimir Búlgaro, defensor de José Reinaldo Girotti, o Alemão, um dos maiores financiadores de grupos criminosos do País, incluindo o PCC, também preso em Campo Grande.

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