PF investiga Transportes ''há tempos''

Ministro da Justiça diz ter determinado triagem sobre o que é novo e o que já é objeto de apuração

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2011 | 00h00

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou ontem que "há tempos" a Polícia Federal investiga denúncias de fraudes em licitação, desvio de dinheiro público e corrupção no Ministério dos Transportes e em órgãos vinculados. Ele disse que, a pedido dos partidos de oposição, determinou que o órgão analise se há fatos novos que justifiquem a abertura de outros inquéritos. "A PF tem o dever legal de investigar todo tipo de crimes dessa natureza que afetem o patrimônio público."

Em entrevista no ministério, acompanhado do diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, Cardozo explicou que, tão logo recebeu o pedido da oposição, determinou ao órgão uma triagem sobre o que é novo e o que já é objeto de apuração. Ele disse que aguardará também a auditoria que a Controladoria-Geral da União (CGU) realiza nos contratos da pasta, a mando da presidente Dilma Rousseff. "Qualquer fato novo verificado determinará a abertura de inquérito."

Após constatar que a área de Transportes vinha se tornando um ralo de dinheiro público no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Ministério Público Federal desencadeou uma série de investigações, em parceria com a CGU, desde o ano passado. A PF foi acionada para aprofundar investigações em dezenas de casos. Pelo menos três desses contratos já resultaram até agora em inquérito criminal relatado à Justiça, enquanto outros com indícios de irregularidade são objeto de apuração.

No Ceará, a Operação Mão Dupla apurou, em agosto de 2010, um desvio de R$ 5 milhões em apenas um trecho da duplicação da BR 116. Havia fraude na licitação, superfaturamento, desvio de verba e pagamentos indevidos. Foram efetuadas 27 prisões. Um total de 11 servidores do Dnit acabou atrás das grades, entre os quais gestores da obra e até o superintendente regional.

No Rio Grande do Norte, em apenas um lote na obra de duplicação da BR 101, o desfalque foi de R$ 2 milhões (10% do valor liberado). Como o total da obra está orçado em R$ 200 milhões, estima-se que o rombo seja muito maior. O escândalo, desvendado em novembro, resultou na prisão de sete pessoas, entre as quais Gledson Golbery de Araújo Lima, sobrinho do deputado João Maia (PR) e do deputado distrital Agaciel Maia (PTC-DF).

O maior rombo até agora apurado, todavia, tem origem na construção da Ferrovia Norte-Sul, a cargo da Valec, outra estatal dos Transportes. Em um trecho de 105 quilômetros, foi detectado superfaturamento de R$ 48 milhões.

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