PF mira computadores de Erenice e da Casa Civil

Ex-ministra vai ser chamada para depor, afirma o delegado que investiga suspeita de tráfico de influência envolvendo ela e os filhos Israel e Saulo

Tânia Monteiro e Rui Nogueira, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2010 | 00h00

A Polícia Federal quer ter acesso aos arquivos do computador da ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra. O delegado titular do inquérito que investiga a suspeita de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra e os filhos dela, Israel e Saulo Guerra, também já decidiu que vai chamar Erenice para depor.

O Estado apurou que o delegado Roberval Vicalvi já encaminhou ao Ministério Público Federal o pedido de autorização da Justiça para ter acesso e "espelhar" o computador da ex-ministra. A procuradora Luciana Martins deve dar parecer favorável ao pedido e encaminhar a solicitação ao juiz hoje ou, no mais tarde, no início da próxima semana. A PF também vai pedir a prorrogação do inquérito.

O espelhamento é a copiagem de todos os arquivos armazenados na máquina que servia à então ministra na Casa Civil. Logo depois da demissão de Erenice, no dia 16 de setembro, o interino da pasta, Carlos Eduardo Esteves Lima, assinou no primeiro dia no cargo uma portaria abrindo sindicância para investigar as suspeitas sobre um grupo de funcionários, a começar pelo assessor Vinícius Castro, que era sócio de Israel Guerra nos negócios dentro da máquina federal. A comissão não tem poderes para investigar a ex-ministra.

Denúncia. Erenice pediu demissão depois que o empresário Rubnei Quícoli denunciou a tentativa de cobrança de propina numa operação em que ele representava a empresa ERDB junto ao BNDES no pedido de um empréstimo de R$ 9 bilhões para a construção de uma usina de energia solar no Nordeste.

Segundo a denúncia de Quícoli, o empréstimo só seria concedido mediante acordo com a Capital Assessoria, empresa dos filhos de Erenice, ligada à família da ex-ministra e a Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil. Quícoli acusou também o ex-diretor de operações dos Correios Marco Antonio de Oliveira, tio de Vinícius, de tentar cobrar uma propina de R$ 5 milhões para tentar agilizar o negócio. Todos negam as acusações.

Silêncio. A sindicância do ministro interino retirou do gabinete da chefia da Casa Civil o computador de Erenice e mandou lacrar as máquinas dos funcionários que trabalhavam com a então ministra. A comissão de sindicância é presidida pelo servidor Waldir João Ferreira da Silva e integrada também por Torbiabich Rech e Carlos Humberto de Oliveira.

A comissão de sindicância, instaurada no dia 18 de setembro, tem prazo de 30 dias a partir da publicação da portaria no Diário Oficial da União, ou seja, 17 de outubro. A Casa Civil não fala sobre o andamento das investigações e nem quem já foi ouvido ou como estão as apurações. Informa apenas que, de fato, foram lacrados os computadores que pertenciam a Vinícius e às secretárias que trabalhavam na sala com ele, além de outras pessoas, sem especificar quantos foram levados para esta sala especial, onde estão lacrados e à disposição da comissão.

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