PF prende 15 por compra de voto em GO

Grupo é flagrado em hotel de Anápolis distribuindo dinheiro e incentivando eleitores a votar em Íris; PMDB nega irregularidades

Rubens Santos, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

A Polícia Federal em Goiás prendeu 15 pessoas anteontem à noite, sob acusação de participar de esquema para compra de votos. O grupo estava num salão do Hotel Príncipe, no centro de Anápolis, quando foi flagrado pela polícia incentivando eleitores a votar em Iris Rezende (PMDB), que disputa o segundo turno ao governo de Goiás com Marconi Perillo (PSDB).

Em troca, diz a PF, cada eleitor recebia R$ 50 a título de "ajuda de custo" ou "brinde", o que caracterizou o crime eleitoral.

"Os presos alegaram participar de uma suposta pesquisa qualitativa de votos", disse ontem o delegado da PF Angelino Alves de Oliveira. "No momento da detenção, eles recebiam dinheiro num envelope."

Dos presos, seis trabalham para o Instituto Verus, Assessoria e Pesquisa. Luiz Felipe Gabriel, presidente do instituto, disse em depoimento que "a pesquisa qualitativa de intenção de votos é legal e foi baseada na lei eleitoral". Ele acabou detido.

O presidente estadual do PMDB, Adib Elias, confirmou ontem que o Instituto Verus foi contratado pelo partido para fazer a pesquisa qualitativa em Anápolis. "Eles foram contratados para fazer a pesquisa e toda pesquisa qualitativa é paga", disse Elias. "O PSDB está perdendo e quer ganhar a eleição no grito." O candidato Iris Rezende também confirmou saber da existência das pesquisas em Anápolis.

Filmes. De acordo com o delegado Angelino Oliveira, a equipe do instituto pesquisava intenção de votos, mas anotava nome, endereço e telefone dos entrevistados. Depois, convidava os entrevistados para a reunião no Hotel Príncipe, que fica na Praça Bom Jesus.

No hotel, os entrevistados assistiam a filmetes com a propaganda eleitoral de Iris e de Marconi. Depois do filme, segundo testemunhas, os pesquisadores criticavam o candidato tucano e elogiavam o peemedebista.

Denúncia. O delegado explicou que, há duas semanas, recebeu a denúncia sobre o grupo, no escritório da Polícia Federal, em Anápolis.

Levados para a PF e indiciados por crime eleitoral - que é inafiançável e prevê até quatro anos de prisão -, seis homens foram recolhidos à Cadeia Pública de Anápolis e nove mulheres foram transferidas para uma penitenciária em Aparecida de Goiânia. Com eles, foram apreendidos R$ 1.292 em dinheiro e um notebook.

"Isso aí é um factoide", disse o prefeito de Anápolis, Antonio Gomide (PT), cujo partido está em aliança com o PMDB na disputa sucessória.

"Para eles, do PMDB, vale tudo para ganhar uma eleição", acusou o deputado estadual tucano Daniel Goulart. Ele disse ter protocolado denúncias de compra de votos na Polícia Federal e de distribuição de panfletos apócrifos com acusações contra Marconi Perillo.

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