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PF prende cinco policiais militares da UPP da Rocinha

Clarissa Thomé e Fábio Grellet - O Estado de S. Paulo

31 Março 2014 | 13h 37

Eles são acusados de repassar aos traficantes da favela informações sobre investigações e operações policiais no morro

Atualizada às 20h21

RIO - Cinco policiais militares lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, na zona sul do Rio, foram presos na manhã desta segunda-feira, 31, por agentes da Polícia Federal. Eles são acusados de repassar aos traficantes da favela informações sobre investigações e operações policiais no morro. Dois estavam na sede da UPP e três no 23º Batalhão, no Leblon (zona sul).

Na operação, a polícia também prendeu em sua casa em Mato Grosso do Sul Danúbia Rangel, mulher do traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha. Desde a prisão do marido, em novembro de 2011, Danúbia vem alternando períodos de estada no Rio e em Campo Grande, onde Nem cumpre pena num presídio federal. A PF pediu a transferência da mulher para o Rio de Janeiro.

Durante a investigação, que durou quatro meses, a PF descobriu também uma negociação de criminosos para tentar unir as facções criminosas Amigo dos Amigos (ADA), que é baseada na Rocinha e tinha como principal líder o traficante Nem, e Terceiro Comando Puro (TCP), que atua principalmente no Complexo da Maré e tinha como líder Marcelo das Dores, o Menor P, preso na semana passada no Rio.

O advogado de Menor P, Nilson Lopes dos Santos, também foi detido nesta segunda à tarde pela PF no Rio.

Entre os policiais detidos há dois soldados, de 29 e 32 anos, com três anos de serviço cada; um cabo da PM, de 34 anos, com 6 anos de serviços; um 2º sargento de 39 anos e há 18 na corporação, e um 3º sargento de 40 anos com 14 anos de serviço. Este também foi autuado em flagrante por porte ilegal de armamento de uso restrito, pois em seu armário, na sede da UPP da Rocinha, foi encontrado um carregador de fuzil calibre 762 municiado que não pertence à PM.

Quatro dos PMs presos fazem parte do Grupo Tático de Proximidade, responsável por patrulhar o morro em busca de armas e drogas. O quinto policial integrava o Setor de Inteligência da PM. Eles prestaram depoimento na sede da PF e foram encaminhados ao sistema prisional. O teor de suas declarações não foi divulgado.