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Pilhagem dos corpos do voo 1907 será julgada nesta quarta em Porto Alegre

Mônica Reolom - O Estado de S. Paulo

09 Abril 2014 | 07h 31

Familiares das vítimas reclamam do desaparecimento de pertences de alguns dos 154 mortos no acidente com avião da Gol que se chocou contra um jato Legacy

A Justiça Federal vai julgar nesta quarta-feira, 9, a responsabilidade pela pilhagem dos corpos do voo 1907 da Gol que caiu em 29 de setembro de 2006 na Serra do Cachimbo, em Mato Grosso, após se chocar no ar com um jato Legacy. Os familiares das vítimas reclamam do desaparecimento de pertences de alguns dos 154 mortos no acidente.

Em fase de recurso, o processo será votado pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em Porto Alegre, às 13h30, na capital gaúcha. "Queremos demonstrar que não foi apenas um desrespeito, foi um descumprimento de responsabilidade pela guarda e entrega dos pertences aos familiares e que isso não causou apenas danos emocionais, mas também, financeiros a essas pessoas que, além de terem que lidar com a perda dos seus entes queridos, também tiveram que arcar com os problemas que essa pilhagem causou", afirma o advogado dos familiares, Daniel Fonseca Roller.

Respondem ao processo o Ministério Público de Brasília e a Aeronáutica, responsáveis pelo recolhimento dos pertences, guarda e entrega aos familiares.

Em 15 de junho de 2012, a Justiça Federal do Paraná julgou improcedente o pedido de indenização feito à União pelos familiares. A sentença de primeiro grau, publicada pela 2.ª Vara Cível de Curitiba, considerou que os documentos e testemunhos foram insuficientes para comprovar o sumiço dos bens.

Entenda. As famílias das vítimas denunciaram ao País a pilhagem dos pertences dos mortos em 2007. A responsabilidade pelo resgate dos corpos e dos pertences das vítimas era da Aeronáutica. Os pertences foram entregues à Gol que, junto ao Ministério Público de Brasília, deveria entregar aos familiares das vítimas.

Os parentes dizem que nem todos os objetos das vítimas foram devolvidos. Um celular de uma das vítimas foi encontrado no Rio de Janeiro, antes mesmo do resgate e reconhecimento do seu corpo pelos familiares.

Joana Batalha Ignácio, psicóloga e agente da Polícia Federal, uma das vítimas do acidente, teve um carro 0km comprado com seus documentos. Sua arma e seus documentos nunca foram entregues aos seus familiares.