Piloto do Legacy diz que cumpriu ordens da torre de controle

Por videoconferência, americano prestou depoimento sobre acidente que matou 154 pessoas em 2006

Vannildo Mendes, O Estado de S. Paulo

30 Março 2011 | 19h57

BRASÍLIA - Em depoimento de quase sete horas, o piloto norte-americano Jan Paul Paladino afirmou nesta quarta-feira, 30, que recebeu instruções da torre de controle aéreo de Brasília, quando sobrevoava a cidade no jato Legacy da Embraer, para prosseguir o voo a 37 mil pés de altura. Era a mesma altura em que vinha de Manaus o Boeing da Gol com o qual o Legacy se chocou em agosto de 2006.

O Legacy deveria baixar para 36 mil pés ao cruzar a capital, conforme mandava o plano de voo, e seguir nessa altitude até o ponto virtual Teres, quando deveria subir para 38 mil pés e seguir nessa altura até sair do espaço aéreo brasileiro, livre de riscos. Mas o piloto não questionou a ordem do controlador de voo e seguiu na rota até a colisão. O acidente causou a morte dos 154 passageiros e tripulantes do avião da Gol.

O Legacy, mesmo avariado, conseguiu pousar na base aérea da Serra do Cachimbo, em Mato Grosso. Paladino disse que teve sérias dificuldades de comunicação com os controladores de tráfego aéreo brasileiro, que em geral não dominam o idioma inglês, e negou que o transponder do Legacy, equipamento que poderia ter evitado o desastre, tenha sido desligado durante o voo.

Mas o norte-americano complicou-se ao explicar a informação, contida na caixa preta e confirmada em vários laudos periciais, de que o transponder foi desligado durante o voo, possivelmente por distração. A maior prova é um diálogo do piloto com o auxiliar logo após o choque, em que os dois constatam que o equipamento estava "off" (desligado) e 35 segundos depois ele aparece "on" (ligado) no registro da caixa preta.

O depoimento foi dado por videoconferência desde os Estados Unidos, onde vive Paladino. Amanhã, será ouvido o copiloto Joseph Lepore. É a primeira vez que os dois prestam depoimento oficial à Justiça brasileira. Acusados de "atentado contra a segurança da aviação", por atitude negligente, mas sem dolo, os dois podem ser condenados a até cinco anos de reclusão, mais multa e ainda podem perder o brevê, diploma conferido aos que terminam o curso de aviação.

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