Piloto que se chocou com urubus não deve voltar a enxergar

Caso não tenha cura, a perda da visão pode prejudicar carreira aérea do piloto

Agencia Estado

04 Julho 2007 | 17h29

As esperanças do piloto Carlos William Pereira, de 23 anos, de voltar a enxergar com o olho esquerdo são remotíssimas. Ele sofreu uma pancada no globo ocular após o choque do avião que pilotava, um Sêneca, com um bando de urubus, no domingo às 14h45 no interior de São Paulo. "Ele pode ficar sem a visão do olho esquerdo", disse nesta terça-feira, 3, Juarez Fonseca, porta-voz da Brasil Vida, empresa de transporte aeromédico na qual Carlos William trabalha. "A decisão final, sobre cirurgia e tratamento do olho será anunciada na próxima quinta-feira, quando o Carlos William voltará ao médico que o atendeu", afirmou Juarez Fonseca, referindo-se ao oftalmologista Henrique Silva, do Centro Brasileiro de Cirurgia dos Olhos (CBCO), em Goiânia. Ele também garantiu que o globo ocular não foi retirado da cavidade óssea, que é apoiada por uma camada protetora de gordura que amortece eventuais impactos. De acordo com informações colhidas junto à empresa, Carlos William passou o dia rodeado por um silêncio sinistro: "Os fatos indicam que as chances são mínimas de voltar a enxergar com o olho esquerdo", comentou Juarez Fonseca. Lembranças do choque no ar, entre o avião e o bando de urubus nos céus de Jundiaí, seriam os reflexos de eventuais desordens psicológicas. No momento do acidente, segundo nota oficial da Brasil Vida, o piloto tentou uma "manobra evasiva" para evitar a colisão. Porém, o choque danificou o pára-brisa da aeronave e causou ferimentos ao piloto. "Em nenhum momento ele ficou inconsciente", relatou mais tarde o piloto Juarez Fonseca e amigo pessoal de Carlos William. "Apesar da gravidade do acidente, continuou pilotando o avião e recebeu os primeiros socorros do médico (Dr. Juliano) e da enfermeira (Lílian) que estavam na aeronave", disse. "E foi ele mesmo quem pousou o avião em Jundiaí, com total segurança", comentou. Amigos revelaram que Carlos William já sabe que o olho esquerdo está comprometido. O que deverá influir em sua carreira de piloto, um sonho alimentado desde a infância. Talvez por isso, explicaram, no ar há um certo receio de se falar sobre o acidente e suas conseqüências com Carlos William. Para reduzir o estresse físico e psicológico, segundo um diretor da empresa, o médico Henrique Silva recomendou ao piloto ficar em repouso absoluto até o seu retorno ao hospital, na próxima semana. No hospital não foi possível falar com o médico do piloto, que estava em cirurgia. O hospital evitou ceder informações sobre o paciente.

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