Divulgação/BEA
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Pilotos poderiam ter salvo o voo 447 mesmo com falha, afirma diretor do BEA

Para Jean-Paul Troadec, situação era contornável mesmo com a erro na indicação de velocidade

Reuters,

29 Julho 2011 | 10h33

PARIS - Os pilotos do voo 447 da Air France, que caiu no Atlântico em 2009, podiam ter salvo a situação depois que o avião perdeu os dados de velocidade, disse o chefe do Escritório de Investigações e Análise para Aviação Civil (BEA, na sigla em francês).

 

"A situação era salvável", afirmou Jean-Paul Troadec, diretor da agênci que investiga acidentes aéreos no país, a repórteres depois da divulgação do relatório atualizado sobre o acidente. O relátório divulgado nesta sexta-feira aponta que os copilotos cometeram uma sucessão de erros na condução da aeronave, assim como houve falha na indicação de velocidade do avião, provalvemente provocada pelo congelamento dos tubos de pitot.

 

Apesar disso, o próprio BEA diz que até o momento é impossível atrelar a queda do Airbus 330 apenas às falhas da equipe de pilotagem e que, por enquanto, só existe a suspeita, mas a culpa ainda não está confirmada.

 

De acordo com a análise dos dados das caixas-pretas, com a incongruência nas indicações de velocidade do avião, o piloto automático foi desligado e os copilotos tiveram de assumir o comando da aeronave.

 

Em seguida, os pilotos não conseguiram identificar o alarme que indicava a perda de sustentação da aeronave e mantiveram o bico elevado, sendo que a orientação para que a situação fosse normalizada era contrária.

 

Além disso, ao perceberem que a aeronave estava com perda de velocidade, mesmo com índices incoerentes, os pilotos não adotaram o procedimento chamado de "IAS questionável", quando a leitura velocidade apresentada pelo sistema não é confiável. Segundo o relatório, nenhum dos dois tinham passado por treinamento recente para pilotagem manual ou qualquer conhecimento em altas altitudes para caso de erro de leitura de velocidade.

 

Durante todo o período crítico, não houve evidências que mostrasse a divisão de tarefas entre os dois copilotos e o comandante também não havia deixado orientações claras antes de deixar a cabine. Ainda de acordo com o relatório, em nenhum momento a equipe de pilotagem comunicou os passageiros sobre os problemas enfrentados durante o voo.

O Airbus 330 mergulhou no Atlântico em meados de 2009, quando fazia a rota Rio-Paris, matando todas as 228 pessoas a bordo.

 

 

Atualizado às 12h22

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