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PM 'envelopa' manifestantes em Belo Horizonte

Alex Capella - Especial para o Estado

17 Junho 2014 | 14h 52

Cerca de 200 integrantes do movimento 'Tarifa Zero' interromperam o trânsito em tradicional ponto de encontro de turistas

BELO HORIZONTE - Cerca de 200 integrantes do "Tarifa Zero", movimento que cobra a redução no preço das passagens do transporte público, interromperam o trânsito, no início da tarde desta terça-feira, 17, na Savassi, região Centro-Sul da capital mineira, ponto de encontro de turistas que acompanham a Copa do Mundo. Centenas de policiais militares, inclusive do Batalhão de Choque, cercaram os manifestantes e passaram a acompanhar as ações do grupo, mas sem confronto. 

O policiamento foi reforçado em toda a cidade. No total, 12 mil militares foram empenhados para fazer a segurança na capital durante o Mundial, mas o comando não confirmou o número de policiais deslocados para a Savassi. O certo é que em todos os quarteirões da região há presença de policiais, instruídos a "envelopar" os manifestantes.

A estratégia da PM é a de isolar os manifestantes, tal como ocorreu no último sábado, na Praça Sete, no Centro. A ação da polícia recebeu críticas de alguns setores da sociedade civil organizada. "Vamos agir dentro do que manda a lei", assegurou o chefe de Comunicação da PM, o tenente-coronel Alberto Luiz. 

Proibição de máscaras. A ação da PM na Savassi acontece no dia em que a Lei 21.324, que restringe o uso de máscaras ou qualquer peça que esconda a face de participantes de manifestações no Estado, foi sancionada pelo governador Alberto Pinto Coelho (PP). Ela será publicada no "Minas Gerais", Diário Oficial do Estado, na edição de quarta-feira, 18, data em que entra em vigor. 

Com a lei, os manifestantes que estiverem com seus rostos cobertos terão que se identificar sempre que forem solicitados por policiais. Em caso de descumprimento, o infrator será encaminhado à identificação criminal e poderá pagar multas com valores que variam entre R$ 1.319 e R$ 26,3 mil, além de ser monitorado permanentemente em outros eventos semelhantes.

Apesar do maior rigor, a PM critica a falta de eficácia da lei. "Ela não proíbe o uso de máscara, só dá brecha para a abordagem", afirmou o tenente-coronel Alberto Luiz.