Marcos Arcoverde/AE
Marcos Arcoverde/AE

PM retira à força manifestantes que ocupavam Câmara no Rio

Cerca de 50 ativistas conseguiram furar o bloqueio policial e entrar na sede do Legislativo carioca; três pessoas ficaram feridas no protesto

Heloísa Aruth Sturm e Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2013 | 23h52

RIO - A manifestação realizada nesta quinta-feira, 31, no Rio, que culminou com a invasão da Câmara Municipal, acabou com três feridos, sendo um policial, e um preso. O protesto começou às 16h na Cinelândia, em frente à Câmara, e reuniu 2 mil pessoas, que seguiram em passeata pelo centro. Elas protestavam contra o decreto estadual 44.305/2013, que criou a Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas (Ceiv), e exigiam o impeachment do governador Sérgio Cabral (PMDB). Após passar pelo Ministério Público Estadual (MPE), onde um grupo foi recebido pelo procurador-geral de Justiça, e pela Assembleia, eles voltaram à Cinelândia e tentaram invadir a Câmara.

Embora policiais e seguranças tenham feito um cerco ao prédio, cerca de 50 ativistas conseguiram entrar por uma porta lateral, por volta das 21h. Esse grupo anunciou que pretendia permanecer na Casa até que a Assembleia Legislativa, que volta hoje ao trabalho, após o recesso parlamentar de julho, aprove o impeachment de Cabral. Policiais e assessores parlamentares tentaram negociar a saída pacífica desse grupo e cerca de 20 ativistas chegaram a deixar o prédio. Mas, enquanto isso, ativistas que estavam fora da Câmara conseguiram romper o cerco da polícia e mais 50 pessoas entraram no prédio.

Segundo assessores parlamentares, alguns manifestantes que estavam dentro da Câmara tentaram destruir o gabinete da presidência, exercida pelo vereador Jorge Felippe (PMDB). Outros ativistas tentaram conter esse grupo, sem sucesso. A polícia então decidiu retirar todos os manifestantes com cassetetes e spray de pimenta. O prédio foi esvaziado e vários manifestantes dizem ter sofrido agressões dos PMs.

Do lado de fora, manifestantes que lançavam pedras e fogos de artifício contra os policiais foram atacados também com cassetetes, armas de choque e gás pimenta. Um policial foi ferido na boca e dois manifestantes foram atingidos por pedras lançadas por outros ativistas. A polícia não usou bombas nem dentro nem fora da Câmara.

Por volta das 23h os manifestantes se dispersaram. Um grupo foi para a casa de Cabral, no Leblon, e outro para a delegacia onde um manifestante estava detido acusado de dano ao patrimônio público. Cerca de 40 integrantes do grupo Black Bloc, que usam máscaras e defendem atos de destruição, seguiram até a Assembleia Legislativa, mas não chegaram a atacá-la. Eles se dispersaram quando a polícia chegou.

Um dos principais motivos do protesto, o decreto de Cabral que criou a CEIV foi criticado por juristas porque atribuiria à comissão o poder de quebrar o sigilo de pessoas investigadas por suspeita de envolvimento em atos de vandalismo. Só a Justiça pode autorizar essa quebra de sigilo, defendem os críticos. Cabral então anulou a primeira versão do decreto e publicou outro texto, com mudanças pontuais e também criticado. A norma foi produzida com apoio do MPE. Por isso, durante o protesto desta quarta-feira, os manifestantes foram à instituição e se reuniram com o procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira. Ele atendeu ao grupo, mas rebateu as críticas ao decreto: "Essa interpretação (de que é ilegal) é equivocada. Em momento algum a comissão pensou em quebrar sigilo”, afirmou.

Atendendo a pedidos dos manifestantes, Marfan disse que a partir desta quinta-feira, 1º, o MPE vai divulgar, pela internet, informações atualizadas sobre investigações que envolvem o governo estadual, como o uso de helicóptero do Estado pela família de Cabral e gastos públicos com a Copa e a Olimpíada. "Este é um movimento legítimo e democrático.

Quando batalhávamos contra a PEC 37, eu também vesti a camisa e fui às ruas", disse o procurador. "Não tenho medo de pressões, venha de que lado vierem. O Ministério Público é uma instituição de defesa da sociedade. Não temos compromissos com pessoas nem com grupos, mas sim com a verdade".

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