Igo Bione/JC Imagens
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PMs e bombeiros ignoram decisão da Justiça e fazem passeata em Recife

Em meio ao clima de insegurança na cidade, grevistas criticam o ex-governador Eduardo Campos (PSB)

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2014 | 13h59

Atualizado às 15h15 - RECIFE - Enquanto o nome do general do Exército José Carlos de Nardi, ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas, era anunciado para comandar a operação de segurança no Estado de Pernambuco, devido à greve dos policiais e bombeiros militares, os grevistas realizam uma passeata pelo centro de Recife.

Em cima de um carro de som, acompanhados por cerca mil profissionais - estimativa deles próprios- parte deles em motos, com buzinaço e apitaço, grevistas se revezam ao microfone, expondo a situação do policial militar e criticando o governo do ex-governador Eduardo Campos (PSB). "Esta crise foi criada no governo Campos", afirmou o líder do movimento, soldado Joel Maurino. "Com o programa Pacto pela Vida o governador ganhou prêmio internacional e vai se candidatar à presidência da República, mas o Pacto não é tudo o que ele diz".

Segundo Maurino, o Pacto pela Vida oprimiu soldados e policiais, sobretudo na questão salarial. "Os policiais devem trabalhar 40 horas semanais, mas trabalham 48 e não recebem hora extra", reforçou a soldado Aênia Feitosa Barbosa.

Os grevistas ignoram a decretação da ilegalidade da greve pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), mantém a paralisação e querem reabertura de negociações. A expectativa de Maurino é que os grevistas possam novamente sentar à mesa com o governo com a chegada ao Estado do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "O governador não quis nos receber hoje", reclamou ele, ao rebater que a greve não é ilegal porque ela foi anunciada há mais de 15 dias.

De acordo com o governo estadual, no momento em que a greve foi decretada ilegal as negociações foram suspensas.

A passeata dos grevistas saiu da Praça do Derby por volta do meio dia em direção ao Palácio do Campo das Princesas, via Avenida Conde da Boa Vista.  As lojas e instituições localizadas no roteiro fecharam as portas por temor de arrastões. O clima de insegurança, consolidado através de saques e arrombamentos na quarta, 14, no município metropolitano de Abreu e Lima, se mantém. Na avenida Conselheiro Aguiar, bairro do Pina, na zona sul do Recife, houve assaltos a motoristas e pedestres.

Insegurança. Recife e região metropolitana pararam com a greve dos policiais e bombeiros militares, iniciada na noite da terça, 13. Ocorrência de assaltos e arrastões rapidamente compartilhados via redes sociais criaram um clima de pânico que chegou ao seu auge neste início de tarde. Lojas, supermercados, escritórios, órgãos públicos, faculdades suspenderam suas atividades e a movimentação que ainda se via até as 15 horas, no centro da capital, era somente de pessoas tentando pegar ônibus ou táxi para retornar para suas casas.

 

Cada um, uma história para contar. Tiros para dissolver tentativa de assalto na praça do Derby, área central da cidade; grupos com facão e pedaços de pau fazendo arrastões na avenida Conselheiro Aguiar, no bairro do Pina, na zona sul; assaltos a pedestres no bairro da Ilha do Leite; um carro incendiado defronte a uma churrascaria em Boa Viagem, também fechada; arrastão em um hipermercado da zona norte da capital, eram algumas das histórias compartilhadas.

 

O clima de insegurança se solidificou e disseminou a partir de saques ocorridos na noite de quarta no município metropolitano de Abreu e Lima, onde lojas foram arrombadas e as pessoas carregavam geladeiras, fogões, televisores, computadores.  Na manhã desta quinta-feira mercados de bairro de Abreu e Lima também foram alvo de vândalos que levavam as mercadorias roubadas em carrinhos de mão.

 

Homens da Força Nacional de Segurança e policiais civis começaram a reforçar o policiamento.

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