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PMs não perceberam abertura de porta-malas por causa de sirene, diz advogado

Liana Leite - O Estado de S. Paulo

19 Março 2014 | 16h 25

Os três policiais acusados de arrastar a auxiliar de serviços gerais são aguardados para prestar depoimento na delegacia de Madureira

RIO - O advogado Jorge Carreiro Mendes, que defende o policial Rodney Miguel Archanjo, um dos acusados de arrastar Cláudia Silva Ferreira por 350 metros, disse que moradores tentaram abrir o porta-malas do carro da polícia porque queriam acompanhar a servente até o hospital.

Os PMs disseram que ela ainda estava com vida e não perceberam que a porta estava aberta por causa da sirene. "Prezaram pela agilidade porque queriam salvar a vida dela", afirmou Mendes. Essa é a justificativa também para não terem colocado Cláudia no banco traseiro, que estaria ocupado por armas e coletes.

Os três PMs acusados são aguardados para prestar depoimento na delegacia de Madureira, que investiga o caso. Eles estão presos em Bangu 8 e aguardam a chegada de um ofício para serem levados à delegacia com escolta, informou Mendes. A Polícia Civil afirma que já enviou o documento, mas não para Bangu 8 e sim para o Batalhão de Rocha Miranda. A explicação é que os três estão à disposição da PM e não da Justiça.

O advogado José Ricardo Brito, que defende outros dois policiais militares que participaram da operação no domingo afirma que o tiro que matou a auxiliar de serviços gerais pode ter partido de bandidos.

Segundo ele, o primeiro-tenente Rodrigo Boaventura, que comandava a operação no domingo, e o sargento Zaqueu de Jesus Bueno trocaram tiros com cerca de 20 bandidos. "A operação era legal e os policiais não partiram da mata", afirmou.

Os clientes de Brito estão soltos, trabalhando normalmente no 9º Batalhão da PM, em Rocha Miranda. Eles são aguardados na 29ª Delegacia de Polícia (Madureira) para prestar depoimento como testemunhas.

A versão é diferente da relatada pelos familiares. Segundo o irmão de Cláudia, Julio César Silva Ferreira, não houve troca de tiros com bandidos. Os policiais teriam vindo da direção da mata atirando. Cláudia foi atingida a cerca de 50 metros da casa onde morava com o marido, quatro filhos e quatro sobrinhos.