PMs que atuaram em ação paralela ao Pinheirinho são indiciados por tortura e abuso sexual

Inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que indiciou 14 oficiais da Rota será enviado ao Ministério Público

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

24 Julho 2013 | 18h31

SÃO PAULO- A Corregedoria da Polícia Militar indiciou 14 policiais militares da Rota acusados de agredir, torturar e abusar sexualmente moradores de São José dos Campos, em uma ação paralela à desocupação do Pinheirinho,uma das maiores realizadas no País, ocorrida em 2012.

Os crimes, segundo o inquérito policial militar que será enviado ao Ministério Público, ocorreram no bairro Campo dos Alemães, onde o 1º Batalhão de Choque fazia uma ronda, enquanto o resto da PM se concentrava no Pinheirinho. Entre os indiciados, está o tenente comandante Hillen Deniz dos Santos, 7 anos de carreira, o sargento Luiz Cesar Ricomi, 27 anos na polícia, e o sargento Alex Sandro Teixeira de Oliveira, com 13 anos de corporação. Também estão envolvidos um cabo, dez soldados e um integrante do Copom de São José dos Campos - esse último só responde por prevaricação (deixar de realizar um ato obrigatório, por não atender o chamado de uma das vítimas).

De acordo com a corregedoria, os policias entraram em uma casa onde havia sete suspeitos - um deles menor - de uso de drogas e porte ilegal de arma. Os PMs teriam coagidos as vítimas para que apresentassem uma arma de calibre 12. Duas mulheres relatam que foram assediadas pelos policiais, que as obrigaram a fazer sexo oral. Os acusados dos crimes sexuais são um tenente e um sargento. Um adolescente, então com 17 anos, alega ter sido empalado por um cabo de vassoura. Um laudo pericial confirmou a lesão na vítima.

Todo os PMs investigados poderão ser expulsos da corporação por crime de tortura, lesão corporal e violência sexual - os delitos poderão ser julgados pela Justiça comum ou Militar, dependendo da conduta. Apenas um dos policiais, que no começo disse que havia participado da ação, mas depois desmentiu, não foi indiciado, mas responderá por infração administrativa. Ele foi flagrado com uso de maconha em um exame toxicológico. Um soldado do Copom, que havia tratado o telefonema de uma das vítimas com desleixo, foi denunciado só por prevaricação.

A reclamação ao Copom foi registrada uma semana depois dos crimes, ocorridos em 22 de janeiro de 2012, quando 2 mil policiais militares cumpriram decisão judicial de reintegração de posse e retiraram 8 mil famílias do terreno de 1,3 milhão de m² do investidor Naji Nahas. Segundo a corregedoria, todos os envolvidos foram afastados da suas funções para cargos administrativos desde o começo do inquérito. Não foi pedido prisão preventiva, segundo a PM, por eles não atrapalharem as investigações nem terem maus antecedentes.

Os advogados dos indiciados não foram localizados pela reportagem até o momento.

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