PMs que balearam jovem em Manaus têm prisão decretada

Menino de 14 anos levou três tiros à queima-roupa, mas sobreviveu; vídeo flagrou episódio

Liege Albuquerque, O Estado de S. Paulo

24 Março 2011 | 18h10

MANAUS - Foram decretadas hoje as prisões preventivas dos policiais militares que acuaram e atiraram num garoto de 14 anos à queima-roupa em 17 de agosto do ano passado, num bairro da periferia de Manaus. O rapaz levou três tiros, mas sobreviveu.

 

O juiz Antônio Bismarck decretou as prisões, segundo seu texto, "para nos acautelarmos de qualquer investida contra a conveniência da instrução processual criminal, pela periculosidade dos indiciados e para manter a segurança da aplicação da lei penal."

 

As imagens de "brutalidade e violência", nas palavras do juiz, foram divulgadas na noite de terça-feira, quando a TV A Crítica, retransmissora da Rede Record no Amazonas, exibiu o vídeo feito por uma câmera de segurança particular. O secretário de segurança pública do Estado, Zulmar Pimentel, por meio de sua assessoria, anunciou que estavam afastados e detidos administrativamente, no Batalhão da Polícia Militar, seis dos sete policiais envolvidos.

 

No vídeo, de dois minutos, um policial militar armado aparece agredindo e ameaçando o rapaz. Dá um primeiro tiro e o garoto tenta escapar, quando dá outro tiro. Depois do terceiro tiro, o policial que atirou, identificado pela PM como André Luiz Castilhos Campos, e outros que chegaram em outro carro, arrastam o garoto até um dos carros da polícia.

Além de André, os outros policiais identificados e detidos são Wesley Souza dos Santos, Rosivaldo de Souza Pereira, Marcos Teixeira de Lima, Janderson Bezerra Magalhães e Alexandre Souza. A Polícia Militar realiza buscas para localizar o sétimo policial que aparece no vídeo, Wilson Cunha.

 

Discussões. No depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE) antes de ele e sua família entrarem no Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita), o garoto disse que os policiais discutiram no carro para levá-lo a um pronto-socorro a mais de dez quilômetros de onde estavam "para dar tempo dele morrer". O garoto e sua família foram levados na semana passada para outro Estado e ficam sob proteção até o fim do processo.

 

De acordo com o procurador do MPE que investiga o caso, João Bosco Sá Valente, já foram ouvidos dois dos sete policiais envolvidos. "Até a semana que vem ouviremos os outros policiais que faltam e testemunhas que assistiram a violência. Queremos esse caso concluído o mais rápido possível", disse.

 

Segundo o procurador, o vídeo, que lhe foi entregue por um jornalista da TV A Crítica, e a solicitação para que a PM enviasse a lista dos policiais que trabalhavam naquele local na data foi enviado à PM em 28 de fevereiro. "Recebi o vídeo do repórter no dia 28 e pedi informações imediatas à PM", disse. "A família do garoto já havia denunciado o caso à corregedoria da PM, mas nada foi feito."

 

Por meio da assessoria, o comandante da PM, coronel Dan Câmara, informou que não teve acesso ao vídeo, apenas ao pedido da listagem dos policiais. A reportagem tentou falar com Câmara, mas não obteve resposta.

 

Texto atualizado às 19h23.

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