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PMs serão indiciados por matar mototaxistas no Rio

Fábio Grellet - O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2014 | 13h 02

Policiais confundiram peça de motocicleta com fuzil e perseguiram quatro homens desarmados

Atualizada às 19h37

RIO - Três policiais militares do 9.º Batalhão suspeitos de terem assassinado a tiros dois mototaxistas em Rocha Miranda, na zona norte do Rio, serão indiciados pela Polícia Civil sob acusação de homicídio doloso e fraude processual.

No dia 10 de fevereiro, o mototaxista Gleberson Nascimento Alves, de 28 anos, foi com três colegas a um depósito de ferro-velho em Colégio, na zona norte, para comprar uma peça usada para sua moto. Ao sair do ferro-velho, o grupo se deparou com policiais, que confundiram a peça que Alves carregava com um fuzil. Os PMs iniciaram uma perseguição e começaram a atirar, segundo a investigação.

Alves morreu, assim como Alan de Souza Pereira, de 20 anos. Layon Duarte, de 25 anos, ficou ferido.

Os PMs registraram então um boletim de ocorrência na 29ª DP como auto de resistência, alegando que o grupo havia roubado um cordão de um homem e, ao ser perseguido, atirou contra os policiais. Os PMs também apresentaram uma pistola que, segundo eles, era usada pelo grupo.

Mas depoimentos de dois sobreviventes e testemunhas, além de filmagens de moradores e de uma câmera de segurança, comprovaram que o grupo não estava armado. Uma foto levada por parentes também confirmou que o cordão já pertencia a Alves. Por isso os policiais também vão responder por fraude processual.

"A versão dos sobreviventes e das testemunhas é igual: não houve tiroteio. Só os PMs atiraram. Após o crime, os policiais tentaram encobrir o que fizeram e colocaram uma pistola na mão direita do Alves, que é canhoto", disse ao jornal Extra o delegado Marcus Neves, da 40.ª DP (Honório Gurgel).

A PM chegou a divulgar uma nota oficial afirmando que os jovens seriam ladrões na região e haviam resistido a tiros, mas depois instaurou um inquérito para investigar os PMs.

Na semana passada, houve protesto na favela Bateau Mouche, na Praça Seca, zona oeste, onde as vítimas moravam.  Moradores queimaram ônibus e equipamentos da prefeitura.

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