PMs usavam copo na parede para ouvir seqüestrador

Nos depoimentos dados à polícia, fica claro que no segundo dia de seqüestro (terça-feira, dia 14), um grupo avançado do Gate já havia assumido posição no apartamento ao lado da família de Eloá. O morador, Marco Antonio de Araújo, de 40 anos, relata que conhecia a família Pimentel desde que se mudaram, juntos, para o CDHU, em 1999. Surpreendido pela movimentação, ele foi o último a subir para o bloco 24, à 1 hora daquele dia, justamente antes de a área ser interditada pela PM. Ele ficou detido no local, ao lado dos filhos adolescentes, até sexta. No primeiro dia de operações, somente um agente do Gate ficava no apartamento, tentando ouvir pela parede os ruídos no cativeiro. A partir de quinta-feira, essa missão já passou para cinco agentes, armados e com escudos balísticos. "Os policiais ficavam de pé junto à parede que divisa os dois apartamentos, na tentativa de ouvir ruídos do apartamento 24; algumas vezes, apanhavam um copo de vidro, encostando-o na parede para ouvir melhor." SAÍDA Por volta das 10 horas da sexta-feira, Araújo foi autorizado a deixar o apartamento na CDHU para cuidar de seus afazeres normais. Quando tentou voltar ao local, às 15 horas, foi impedido pela polícia. Araújo relata que por volta das 18 horas, quando se encontrava junto às garagens, ouviu "um estampido, similar ao de arma de fogo". Ao ser ouvido no 6º DP, o morador do apartamento em cima do de Eloá, Reinaldo Pereira de Souza, também relatou ter ouvido um estampido, antes da invasão.

O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2008 | 00h00

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