Polícia descarta disparo acidental em assassinato de Sendas

Para IC, vítima estava em posição de defesa e tiro foi dado a curta distância, o que invalida versão de acusado

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2008 | 19h27

A polícia do Rio descarta a hipótese de que o empresário Arthur Sendas, de 73 anos, tenha sido assassinado por um disparo acidental e afirma que todas as provas apontam para uma execução premeditada pelo motorista da família Roberto Costa Júnior, de 28 anos. De acordo com o delegado adjunto da 14ª Delegacia de Polícia, Rafael Menezes, o laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) descarta a tese de tiro acidental apresentada pelo motorista, pois a vítima estava em posição de defesa e o tiro foi efetuado a curta distância. Além disso, o depoimento de uma empregada indica que não houve discussão entre os dois.    "Ele (o acusado) alega que o disparo foi acidental, mas os fatos e o laudo apontam para um crime intencional. Ele foi armado até a casa do empresário sem ter o porte de arma", disse o delegado. O laudo do ICCE atesta que o empresário perdeu o dedo indicador esquerdo ao tentar proteger o rosto do projétil que entrou pelo olho esquerdo e saiu pela nuca. A pistola usada pelo motorista no dia do crime, uma PT 380 da marca Taurus, está registrada em nome de Costa Júnior na Secretaria de Segurança Pública. "Vamos apurar agora se ele preenchia os requisitos para possuir esta arma".   Veja também: Corpo do empresário Arthur Sendas é enterrado no Rio Suspeito de matar Arthur Sendas prestará novo depoimento Rede Sendas começou como armazém na Baixada Fluminense Rio decreta três dias de luto por morte de Arthur Sendas     Menezes informou que o inquérito está "praticamente" concluído. Os investigadores ainda tentam precisar o tempo exato de permanência do motorista no prédio, pois as diferentes câmeras de vigilância do edifício mostram horários diversos tanto para entrada, quanto para a saída. Costa Júnior será indiciado sob acusação de homicídio doloso (quando há intenção de matar) qualificado por motivo fútil, que tem pena prevista de até 30 anos de prisão.   O motorista foi transferido ontem da cela que ocupava na 14ª DP para a carceragem da Polinter, na Pavuna. Orientado pelo advogado Antônio Félix, ele não prestou depoimento na delegacia e afirmou que falará apenas em juízo. "Orientei meu cliente desta forma porque, após se entregar e falar com os jornalistas, ele ficou por duas horas trancado com o delegado José Alberto Pires Lage (titular da 14ª DP) em uma conversa informal. Isso não é normal e desgastou meu cliente", disse. Lage não falou com os jornalistas.   O advogado informou que pretende entrar com um pedido de habeas corpus em duas semanas e disse que a defesa sustentará que o disparo foi acidental e ocorreu durante uma discussão. "Ele foi reivindicar que estava sendo mandado embora e não foi bem recebido pelo Arthur, que o agrediu verbalmente. Os dois se desentenderam, a arma caiu e ambos tentaram pegá-la. Quando meu cliente puxou a pistola da mão do empresário, ela disparou", contou Félix.   O advogado confirmou ainda que o cliente ganhava R$ 2.200, mas disse que não sabe dizer se o cliente prestava serviço de segurança. O pai do acusado, Roberto Costa, que também é motorista da família Sendas, passou parte do dia na delegacia acompanhado de outros parentes.   Ele não gravou entrevista, mas disse aos jornalistas que estava muito abalado porque perdeu o filho e um amigo. Ele confirmou que o empresário morto viu o filho dele "praticamente nascer" e deixou um lanche para Costa Júnior na recepção do distrito policial.   Fidelidade   O porta-voz do Grupo Sendas, Paulo de Castro, disse que o pai do acusado continuará trabalhando "firme e forte" para a família, porque a "fidelidade continua". "O que o filho fez foi problema do filho. É uma coisa à parte, que agora está com a Justiça. O pai, não. Há um carinho, uma atenção, aquele amor, e a fidelidade continua", declarou.   Roberto Costa trabalha há mais de 20 anos para a família. Ele comprava remédios e "cuidava" de Arthur, disse Castro. "Que sabe o que um filho pensa? O motorista está o tempo todo com a família, firme e forte. Ontem, passou o dia choroso, recebendo o carinho, o aconchego da família, continua a mesma coisa. Passou a noite dando toda a atenção à família."   (Com Felipe Werneck, de O Estado de S.Paulo)

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