1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Polícia descarta que bala perdida tenha atingido dançarino

Marcelo Gomes, Thaise Constancio e Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

24 Abril 2014 | 19h 49

Já prestaram depoimento à Polícia Civil oito dos dez PMs que participaram de um suposto confronto com traficantes horas antes de o corpo de DG ter sido descoberto; todos negaram ter atirado no dançarino

RIO - O tiro que atingiu e matou o dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, de 26 anos, foi disparado de propósito em sua direção, concluiu a Polícia Civil. O delegado Gilberto Ribeiro, da 13ª Delegacia de Polícia (DP), descartou nesta quinta-feira, 24, que o rapaz tenha sido atingido por bala perdida. "Se você quer chegar à conclusão de que uma bala perdida atingiu Douglas, que estava passando lá atrás, é impossível. Tirar essa conclusão é viagem", disse o responsável pela investigação das mortes de DG e de Edilson da Silva dos Santos, de 27 anos.

O corpo do dançarino foi encontrado na manhã desta terça-feira no pátio de uma creche no morro Pavão-Pavãozinho (Copacabana, zona sul do Rio), junto a um muro com 10 metros de altura. Ele foi enterrado nesta quinta à tarde. Após o sepultamento, protesto realizado por moradores da favela e black blocs causou tumulto nas ruas de Copacabana.

Já prestaram depoimento à Polícia Civil oito dos dez PMs que participaram de um suposto confronto com traficantes horas antes de o corpo de DG ter sido descoberto. Segundo Ribeiro, todos negaram ter atirado no dançarino. Contudo, disseram que viram um vulto pulando o muro traseiro da creche. O delegado afirmou que não há contradições nos depoimentos dos PMs. As armas que utilizaram foram apreendidas e enviadas à perícia balística.

 

A princípio não é possível confirmar que DG foi torturado ou espancado, disse o delegado. "Não podemos sustentar que houve tortura, mas vamos nos aprofundar. A priori, não há indicação de espancamento."

Também já foram interrogados um irmão de criação de Edilson Santos, um adolescente que o socorreu e PMs que o levaram ao Hospital Miguel Couto, onde já chegou morto. Santos foi baleado na cabeça durante o protesto de moradores do Pavão-Pavãozinho, na noite de terça, que terminou em tiroteio e confusão na favela e no bairro. Investigadores da Corregedoria da PM e da 13ª realizaram nesta quinta-feira perícia complementar na creche Lar de Pierina, onde DG morreu.

O comércio na Rua Sá Ferreira, que dá acesso ao Pavão-Pavãozinho, fechou as portas no fim da manhã. Sem se identificar, comerciantes disseram que a ordem partiu de homens que seriam ligados ao tráfico de drogas na favela, onde desde dezembro de 2009 há uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Amarildo. Antes do enterro, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, disse, em entrevista à TV Globo, que o crime será elucidado e que não se deve comparar a morte de DG à de Amarildo de Souza, pedreiro assassinado por policiais da UPP da Favela da Rocinha em julho do ano passado. O corpo de Amarildo nunca foi achado.

"Em 30 anos, quantos Amarildos o crime não produziu nos fornos de micro-ondas (pneus empilhados onde corpos eram incendiados) no (complexo do) Alemão (agrupamento de favelas na zona norte)? Não quero isentar a polícia dos seus erros, mas não podemos esquecer o passado. Segurança pública é um jogo que não se vai ganhar. É um jogo que se empata e se procura controlar", disse.

Anistia. A mãe do dançarino, Maria de Fátima da Silva, de 56, afirmou que uma moradora do Pavão-Pavãozinho testemunhou a morte de DG. Ela tenta convencer a mulher a prestar depoimento. "Ela assistiu a toda a tortura, me falou como foi (a morte). Ele levou o tiro e terminou de ser morto na creche. Meu filho foi assassinado com requintes de crueldade", disse.

O advogado Rodrigo Mondego, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, anunciou que vai procurar a Anistia Internacional, para que a morte de DG ganhe repercussão e o Judiciário brasileiro seja pressionado. Para ele, a Anistia tem força para encaminhar o caso à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU).

  • Tags:

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo