Bruno Ribeiro/Estadão
Bruno Ribeiro/Estadão

Polícia do Ceará identifica cinco suspeitos de participação em chacina de Fortaleza

Três deles seriam mandantes do massacre que deixou 14 mortos e 18 feridos no bairro de Cajazeiras, em Fortaleza

Bruno Ribeiro, Enviado especial para Fortaleza

28 Janeiro 2018 | 15h10
Atualizado 29 Janeiro 2018 | 15h50

Cinco suspeitos de participar da maior chacina do Ceará, que deixou 14 mortos neste sábado, 27, foram identificados pela polícia. Três deles seriam mandantes do massacre que ocorreu no  bairro de Cajazeiras, na periferia de Fortaleza. A informação foi dada pelo governador do Ceará, Camilo Santana (PT), neste domingo, 28, após uma reunião de emergência que traçou força-tarefa de combate à violência no Estado.

A chacina estaria ligada à guerra entre facções criminosas. A maioria das vítimas é mulher e, entre elas, há adolescentes. Neste sábado à tarde, um suspeito foi preso com um fuzil. 

Participaram da reunião com o governador no início desta manhã, na sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), representantes do Ministério Público do Ceará (MPCE), da Defensoria Pública, do Tribunal de Justiça do Estado (TJCE), da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Vereadores. 

Também integraram a mesa de elaboração do plano de urgência os secretários de segurança pública e defesa social, André Costa, e o de Planejamento, Francisco de Queiroz Maia Júnior. 

+++ 'Vinham prometendo uma chacina desde novembro', diz filho de vítima de Fortaleza

A reunião foi uma tentativa do governo estadual de responder ao ataque em uma festa de forró que teria sido organizada por membros do Comando Vermelho (CV). A responsabilidade pelo massacre é atribuída à Guardiões do Estado (GDE), facção criminosa rival. 

A festa acontecia na casa noturna Forró do Gago. Segundo testemunhas que pediram para não serem identificadas, por volta de 0h30 de ontem, homens chegaram em três carros e desceram disparando a esmo. Eles portariam espingarda calibre 12, pistolas calibre 40 e 9 milímetros e revólveres calibre 38. 

+ Familiares de vítimas da chacina em Fortaleza estão 'aterrorizados', diz defensora

+ Secretário compara chacina a atentados terroristas nos EUA e nega ter perdido controle para facções

'Difícil evitar'

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, André Costa, afirmou que a chacina na festa de forró, na periferia de Fortaleza, foi um evento isolado. "No mundo todo, tem situações em que se matam 50 pessoas, 60 pessoas em boates. É uma situação criminosa que foi organizada, que foi planejada e que veio a ser executada", disse em coletiva de imprensa neste sábado. O massacre deixou 14 pessoas mortas e seis feridos. 

Costa negou estar havendo perda de controle do Estado com relação às facções criminosas no Ceará e comparou o episódio a situações como as que ocorrem em outros países, como os Estados Unidos.

"Não é que haja perda de controle. São ações que acontecem inclusive em outros países, como os Estados Unidos. São situações que pessoas entram em um local, tem tiroteio e se mata dezenas de pessoas. É difícil evitar e a população sabe. Mas também tem situações que a inteligência se antecipa e evita e, como evita, não vira notícia. Mas, infelizmente, veio esse fato hoje, que não se conseguiu evitar", declarou o secretário. 

Mais conteúdo sobre:
Fortaleza [CE] chacina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.