Polícia encontra no Pará submarino que serviria ao tráfico

Embarcação de 17 metros tinha motor de alta potência. Para delegado, equipamento seria usado para escoar droga

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2015 | 19h27

SOROCABA - Um submarino com 17 metros de comprimento por três de diâmetro, capaz de levar 30 pessoas e até 30 toneladas de carga, estava em fase final de construção em plena selva amazônica para servir ao tráfico internacional de drogas. A embarcação foi encontrada na noite de terça-feira, 15, em um braço do rio Guajará-Mirim, na região das Ilhas de Vigia, nordeste paraense, pela Polícia Civil do Pará. Nesta sexta-feira, 18, o submarino estava sendo rebocado e seria transportado para a base do Grupamento Fluvial do Estado, em Belém, capital do Estado.

De acordo com o delegado João Bosco Rodrigues Júnior, diretor de Polícia Especializada, o veículo fluvial estava praticamente pronto e, apesar da fabricação artesanal, contava com motor de alta potência, sonar e sistema de refrigeração interna. Ele acredita que a construção era financiada pelo narcotráfico colombiano para escoar grande quantidade de drogas para fora do País, possivelmente Estados Unidos e continente europeu. 

A descoberta foi feita após denúncia anônima. Uma equipe de policiais foi à região e localizou o estaleiro montado para a construção do submarino. O local, com estrutura para abrigar 15 pessoas, havia sido abandonado pelos ocupantes e ninguém foi preso. 

No acesso, uma placa advertia os ribeirinhos e moradores da região: "Não entre sem permissão". Segundo a polícia, o grupo havia se instalado no local em setembro e tinha vigilância ostensiva na entrada, com o uso de falsos fuzis feitos de madeira para afugentar curiosos.

Além de vários tanques de combustível, foram encontradas inscrições em espanhol, como "La Columbia" e "Guerrilla 762" em embalagens. "Eles impediam que ribeirinhos fizessem a pesca na área, o que incomodou a comunidade", disse o delegado. No interior da ilha, foram encontrados alojamentos como beliches, mesas, alimentos e roupas. Havia alimentos no fogo, o que indica que o local foi abandonado às pressas. A polícia paraense investiga se há grupos brasileiros envolvidos na construção do submarino.

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