Pexels/Pixabay
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Polícia do Rio prende homem em operação contra jogo Baleia-Azul

Matheus Silva é suspeito de ser um dos 'curadores' de rede que induz jovens ao suicídio; mandados são cumpridos em 9 Estados

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2017 | 08h44
Atualizado 18 Julho 2017 | 22h18

RIO - Matheus Moura da Silva, de 23 anos, foi preso nesta terça-feira, 18, em sua casa, no Jardim Nova Era, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), acusado de ser um dos responsáveis por supostamente convencer crianças e adolescentes a participar do jogo Baleia Azul no Rio. Outra pessoa foi detida no interior de São Paulo, sob a mesma acusação.

Segundo a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), do Rio, Silva confessou que, usando perfis falsos no Facebook, manipulava 30 vítimas do jogo. Os investigadores, no entanto, dizem já ter indícios de que ele dava instruções a pelo menos 40 vítimas.

O Baleia Azul teria surgido na Rússia e se disseminado pelas redes sociais. Usando perfis falsos para não serem presos, adultos desafiam crianças e adolescentes a cumprir uma tarefa diária ao longo de 50 dias. A maioria das tarefas envolve automutilação, como “fazer três cortes grandes no braço com uma lâmina, fotografar e enviar a foto para o curador (como é chamado quem tenta convencer a vítima a jogar e ordena a sequência de desafios)”. Quase todas as tarefas devem ser cumpridas durante a madrugada – uma forma de tentar evitar que a família da vítima perceba o que está acontecendo. A última tarefa é o suicídio.

 

Quem cogita sair é ameaçado e, como a maioria dos jogadores é criança ou adolescente, teme as punições e segue participando dos desafios. Houve relatos de mortes supostamente decorrentes do jogo em pelo menos três Estados brasileiros (Minas, Mato Grosso e Paraíba), além de outros países.

Segundo a Polícia Civil, ninguém chegou a se suicidar no Estado do Rio. A delegada titular da DRCI, Daniela Terra, e sua assistente Fernanda Fernandes destacaram que a investigação, iniciada em março, foi inédita porque não tomou por base relato de vítimas nem indícios de materialidade. “O principal objetivo nem era prender os responsáveis, mas evitar suicídios”, conta Daniela.

Monitorando a internet, a polícia identificou 15 crianças e adolescentes que aceitaram cumprir os desafios. Convocou então os pais e os filhos. 

Segundo a delegada, as vítimas entravam no jogo sem imaginar suas consequências. “Todas as vítimas que ouvimos estavam em depressão e foram encaminhadas a acompanhamento psicológico”, disse a delegada. “Os pais precisam acompanhar o que os filhos fazem na internet, porque estão sujeitos a riscos como esse.”

Pelo País. Além da ordem de prisão no Rio, também foram cumpridos nesta terça 24 mandados de busca e apreensão, em nove Estados. A operação foi chamada Aquarius. Segundo a Polícia Civil, estão sendo investigados cerca de dez outros aliciadores de vítimas do jogo.

Em São Paulo, a Polícia Civil prendeu um homem de 25 anos suspeito de atuar como curador do Baleia Azul, em Ibiúna. O homem foi preso de manhã em casa, em um bairro de classe média, onde os policiais apreenderam computadores, um smartphone e vários pen drives. Levado para a Delegacia Seccional de Sorocaba, ele foi ouvido e liberado no fim da tarde.

De acordo com o delegado João Francisco Ferreira Dias, o suspeito negou ser curador do jogo e disse que baixou material em seu computador por interesse nos desafios. “Vamos aguardar a perícia do material apreendido, que já foi encaminhado para o Rio”, disse. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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