DANIEL TEIXEIRA / ESTADAO
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IML de Manaus identifica 39 corpos; DNA poderá ser usado em vítimas carbonizadas

30 dos 39 identificados até o momento sofreram decapitação; 38 peritos se revezam no serviço de necrópsia e liberação dos cadáveres

Marco Antônio Carvalho, Enviado especial

03 Janeiro 2017 | 21h21

MANAUS - O Instituto Médico Legal (IML) de Manaus identificou 36 vítimas do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e três presos mortos na unidade de Puraquequara durante uma briga de facções na capital amazonense na segunda-feira, 2. Dez corpos já foram liberados, dos quais quatro foram retirados pelas famílias para cerimônias de velório e sepultamento.

As informações foram concedidas pelo Departamento de Polícia Técnico-científica no início da noite desta terça-feira, 3, na sede do IML. De acordo com o diretor do departamento, Jefferson Mendes, 30 dos 39 identificados até o momento sofreram decapitação; ele informou ainda que os procedimentos de identificação mais complicados deverão ser das vítimas que foram carbonizadas durante a rebelião, marcada pela crueldade dos criminosos.

"Nossos peritos são preparados para atuar nesse tipo de ação. Mesmo assim é algo chocante, porque nunca viram a forma como se apresentam os corpos agora, mas são pessoas preparadas", disse Mendes. Um total de 38 peritos se revezam no serviço de necrópsia e liberação dos cadáveres. Mendes disse não ter encontrado até o momento marcas de tiros nos presos. Imagens gravadas pelos próprios detentos rivais no momento do ataque mostram um grupo portando armas de fogo. 

 

 

Segundo o diretor, o primeiro passo tomado foi a tentativa de identificação por impressão digital, tendo seguido para arcada dentária em casos mais complicados. Nas vítimas carbonizadas, ele não descartou o uso de exames de DNA para conseguir liberar o corpo. Essa etapa pode durar de quatro dias a um mês, dependendo da qualidade do material coletado, explicou.

Depois de enfrentarem problemas de comunicação e apoio a famílias das vítimas, o IML liberou na noite desta terça duas salas em sua sede para organizar o fornecimento de informações, além de ter instalado tendas do lado de fora da unidade. Na manhã e tarde desta terça, os familiares reclamaram do tratamento recebido, quando tiveram de se comunicar da calçada com a equipe por meio de uma grade. Muitos desistiram de tentar informações. 

Compõem a lista de corpos liberados os detentos Magaiwer Vieira Rodrigues, Artur Gomes Peres Junior, Rajean Encarnação Medeiros, Dheik da Silva Castro, Francisco Pereira Pessoa Filho, Rafael Moreira da Silva e Errailson Ramos de Miranda. 

Mutirão. A Defensoria Pública informou nesta terça que deverá colocar em operação esta semana uma central de atendimento a familiares dos presos mortos na rebelião, além de ter defendido uma força-tarefa junto com o Ministério Público para atendimentos nos presídios. Isso ocorreria com objetivo de acelerar a análise de processos de execução penal.

Foi proposto, ainda, ao ministro Alexandre de Moraes, que realizou inspeção no Compaj nesta terça, a formalização de convênio entre a Defensoria o Ministério da Justiça para implantação de um núcleo especializado em execução penal, com recursos do Fundo Penitenciário Nacional, com capacidade para prestar assistência a toda população carcerária do Amazonas, "medida que só será possível se vier acompanhada das nomeações de novos defensores públicos", destacou o órgão.

Também nesta terça, o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, confirmou que policiais militares e civis que estavam de folga no Estado foram convocados para atuar na força-tarefa criada para investigar e monitorar a situação das cadeias do Estado. 

56 detentos que haviam fugido do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) foram recuperados. "Temos várias informações que estão sendo checadas neste momento. Policiais de folga foram chamados a trabalhar e temos muitas equipes nas ruas pegando os presos", afirmou o secretário.

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