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Polícia prende oito por ataques no Maranhão

Ernesto Batista - ESPECIAL PARA O ESTADO

04 Janeiro 2014 | 20h 08

Bandidos incendiaram cinco ônibus e atacaram também uma delegacia; quatro feridos estão em estado grave, incluindo duas crianças

SÃO LUÍS - A polícia do Maranhão prendeu oito pessoas envolvidas em ataques no Estado. Bandidos queimaram cinco ônibus e atacaram uma delegacia. Eles jogaram gasolina e atearam fogo aos coletivos enquanto os passageiros ainda estavam nos veículos. A ação deixou cinco feridos, quatro deles em estado grave. Entre as vítimas estão duas crianças.

 

Os ataques ocorreram em São Luís e em São João de Ribamar, município vizinho à capital. Em um dos ônibus queimados uma menina de 6 anos teve 90% de seu corpo queimado. Ela estava internada no Hospital Municipal Clementino de Moura. A garota estava com sua mãe e com uma irmã de 1 ano e 4 meses, que também ficaram feridas com gravidade pelo fogo. Um outro passageiro, Marcos Rony, também teve de ficar internado no hospital.

Um parente da menina que está em estado mais grave disse, sem se identificar por medo de represálias, a uma portal de notícias da capital que a mãe ainda pediu para que os bandidos não fizessem nada com as filhas. "Na hora, eles nem ligaram, não tiveram sentimento e tocaram fogo na menina, que está em estado muito grave no hospital", disse.

A ordem para os ataques partiu de bandidos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital. Dos detidos, três são suspeitos do ataque à 9ª Delegacia de Polícia, no bairro do São Francisco, em São Luís. Um deles já cumpriu pena em Pedrinhas. Os outros quatro são adolescentes. Eles confessaram o ataque a um ônibus.

A polícia ainda investiga se a execução do policial militar reformado Antônio César Cerejo, ocorrida no bairro do Maracanã, zona rural da capital, tem ligação com a onda de terror promovida pelos membros de duas facções criminosas que lutam pelo controle do tráfico de drogas. Por causa da insegurança, o Sindicato dos Rodoviários de São Luís decidiu que os motoristas e cobradores iam recolher os coletivos a partir das 18h de ontem até as 5 horas de hoje.

Essa nova onda de ataques seria uma reação ao fato de a PM, com o apoio da Força Nacional de Segurança, terem assumido o controle do Presídio de Pedrinhas. A medida foi uma reação do governo aos assassinatos na cadeia. Em 2013, 59 presos foram mortos no complexo, o que seria mais do que o total de mortes na prisão desde 2009. Neste ano, após a chegada da PM, dois detentos foram mortos.

O governo do Maranhão informou que os mandantes dos ataques já foram identificados e que está reforçando o policiamento na capital. Em 2013, aconteceram 807 homicídios em São Luís.A Polícia do Maranhão anunciou que sete pessoas foram detidas nesta sábado, 4, sob suspeita de participar dos ataques a ônibus e delegacias registrados na noite desta sexta-feira, 3, em São Luís.

Um quinto ataque a ônibus foi divulgado neste sábado. De acordo com o boletim de ocorrência foi registrado em São José de Ribamar, município vizinho a capital, um ônibus que fazia linha Raposa/Araçagy, que cruza três dos quatro municípios da ilha de São Luís, foi incendiado na rodovia estadual MA-202, por volta das 21h30 de sexta. Segundo o relato do motorista, três homens que estavam em um carro e dois em uma moto, fortemente armados, mandaram parar o coletivo e fizeram os passageiros descer.

O Sindicato dos Rodoviários da capital maranhense anunciou que os motoristas e cobradores iriam recolher os coletivos a partir das 18h deste sábado, horário local. Segundo o Assessor Jurídico do Sindicato, José Rodrigues da Silva, a decisão foi tomada não apenas pelas ações recentes, mas por todos os outros acontecimentos do ano passado. Em outubro, outros sete coletivos haviam sido queimados também a mando de criminosos detidos em Pedrinhas.

“Essa decisão acabamos de tomar, não apenas pelos incêndios que aconteceram ontem, mas por todos os acontecimentos que aconteceram no ano passado a nossa categoria. Vamos recolher os ônibus em todas as noites até na segunda-feira (6), e na terça-feira (7), iremos decidir se vamos continuar, ou não” disse José Rodrigues.

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