Polícia se mobiliza para encontrar promotor de show em Curitiba

A polícia de Curitiba está mobilizada para encontrar o promotor de eventos Athayde de Oliveira Neto, de 23 anos, que teve mandado de prisão temporária por cinco dias expedido. Ele é responsabilizado pelo tumulto ocorrido sábado à noite durante um show de rock no Jockey Club de Curitiba, que terminou com a morte de três adolescentes pisoteados e 24 pessoas feridas, segundo registros da Polícia Militar. Nesta segunda-feira, quatro jovens ainda permaneciam internados, um deles em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Evangélico. O delegado Rinaldo Ivanike, da Delegacia de Homicídios, responsável pelo inquérito, afirmou que o empresário responderá, a princípio, por homicídio doloso, que tem pena prevista de quatro a 20 anos de prisão. Com os depoimentos colhidos até a tarde de hoje, o delegado chegou à conclusão que foram vendidos mais ingressos que a carga prevista. O número de seguranças também não era adequado, assim como inexistiam portões de saída e assistência do Corpo de Bombeiros e de ambulâncias. "Ele não tomou as cautelas necessárias", disse. A polícia apura também a possibilidade de terem sido vendidos ingressos falsos. Um dos advogados do empresário, Carlos Humberto Fernandes da Silva, disse que o rapaz está em Curitiba e que estuda o melhor momento para se apresentar à polícia. Silva garantiu que seu cliente tinha toda a documentação de licença para fazer o show. Segundo ele, Oliveira Neto foi informado somente no sábado de que precisaria pagar para que a Polícia Militar fizesse a segurança no evento particular. Como os bancos estavam fechados, ele teria acertado, por telefone, fazer o pagamento na segunda-feira. "Em nenhum momento ele se negou a fazer o pagamento da taxa", disse o advogado. O chefe da Comunicação Social da PM, major Roberson Luiz Bondaruk, disse que a taxa foi instituída em 1992. Segundo ele, foram feitos contatos prévios, mas os organizadores não se manifestaram a respeito do pagamento. Além disso, o Corpo de Bombeiros fez algumas exigências para conceder o alvará e também não houve resposta. Com isso, a prefeitura não expediu o alvará, mas apenas autorizações das secretarias do Meio Ambiente e do Urbanismo para uso do som e do local. "O evento não podia ter sido realizado", afirmou o major. Segundo ele, o número de seguranças também era insuficiente. Algumas rádios anunciaram que havia 33 mil pessoas, o que necessitaria de cerca de 400 homens, mas pelo levantamento do delegado havia 50, "no máximo". A Polícia Militar acredita que a demora na abertura dos portões, prevista para as 19 horas, mas que só aconteceu quando o show já começava, às 21h30, contribuiu para o tumulto. O Juizado de Menores também havia autorizado a entrada de adolescentes acima de 16 anos, mas foram registradas crianças de até 12 anos. Dois dos mortos tinham 15 anos e um, 14. A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba informou hoje que já apurou irregularidades que teriam sido constatadas naquele mesmo local, durante show da dupla Bruno e Marrone em 27 de outubro de 2001. Na época foi pedida interdição do local para shows, mas a liminar foi negada pela 10ª Vara Cível e o processo extinto há pouco mais de um mês, sem julgamento do mérito. A promotoria disse que já iniciou investigações a respeito deste novo episódio.

Agencia Estado,

02 Junho 2003 | 18h22

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