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Polícia vai indiciar pai, madrasta e amiga pelo homicídio do menino Bernardo

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

09 Maio 2014 | 18h 02

Fontes ligadas à investigação confirmam que 'há elementos de crime triplamente qualificado'

PORTO ALEGRE - O pai, a madrasta e uma amiga da madrasta, suspeitos de envolvimento no assassinato do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, serão indiciados por homicídio, mas a Polícia Civil ainda não estabeleceu qual foi a responsabilidade de cada um na execução do suposto plano, na omissão de informações e na ocultação do cadáver. Fontes ligadas à investigação confirmam que "há elementos de crime triplamente qualificado", ressalvando, no entanto, que falta definir se essa acusação será feita contra todos ou contra parte dos acusados.

O cruzamento de informações colhidas em depoimentos, documentos, gravações e laudos de perícia, que a polícia faz nos próximos dias, deve esclarecer se o crime tem agravantes como planejamento prévio, motivo fútil, execução com frieza de vítima indefesa, aplicação de injeção letal, ocultação de cadáver e omissão de informações. Também deverá ser esclarecido quem fez o que em cada etapa da trama.

O inquérito será concluído na terça-feira, mesmo dia em que vence o prazo da prisão temporária do pai de Bernardo, o médico Leandro Boldrini, da madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini e da assistente social Edelvânia Wirganovicz. A polícia não descarta pedir a prisão preventiva, que tem tempo indeterminado.

Pelas informações já divulgadas pela polícia, Bernardo acompanhou a madrasta em viagem de Três Passos, onde a família mora, a Frederico Westphalen, a 80 quilômetros, no dia 4 de abril. Na cidade vizinha, câmeras de segurança captaram imagens de Graciele embarcando em um automóvel com Edelvânia e Bernardo e das duas voltando sem o garoto. O corpo foi encontrado enterrado em meio a um matagal no dia 14.

O pai alega inocência e anunciou, por seus advogados, que pedirá separação da madrasta. A enfermeira disse que o garoto morreu por ingestão "acidental" de calmantes que deu a ele e isentou o médico de culpa. A defesa sustenta que a assistente social não participou do "evento morte", mas admite que ela ajudou a ocultar o cadáver.

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