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População de Goiânia vive segundo dia de greve de motoristas de ônibus

Marília Assunção, especial para O Estado - O Estado de S. Paulo

16 Maio 2014 | 09h 45

Grupo não aceitou negociações salariais feitas no Ministério Público na quinta e já depredou mais de 20 veículos

Atualizada às 22h38

GOIÂNIA - Grande parte da população da Região Metropolitana de Goiânia teve dificuldade para chegar ao trabalho e às escolas nesta sexta-feira, 16, segundo dia de paralisações e protestos. Na área sul, houve bloqueio na principal garagem. A Polícia Militar agiu e deteve quatro manifestantes. Os atos tiveram ainda a depredação de 20 ônibus.

Às 8 horas, a Tropa de Choque chegou ao Terminal Bandeiras de Goiânia e, minutos depois, houve correria - quando uma bomba de efeito moral foi detonada. As empresas começaram a recolher os veículos para evitar mais danos. Por volta das 9h30, estavam parados 6 dos 19 terminais da região - e a população se concentrava próximo deles, revoltada com a situação. Houve quebra-quebra no interior do Terminal Bandeiras, com danos em lixeiras, bancos e máquinas automáticas de emissão de bilhetes.

A paralisação dos motoristas focou o sistema sul, com reflexos em vários pontos. Em cadeia, o protesto atingiu também os Terminais Bandeiras, Araguaia, Veiga Jardim, Cruzeiro do Sul, Garavelo e Vila Brasília. Na região leste e na oeste, o sistema operava melhor pela manhã, mas era afetado pela ausência da interligação com esses outros terminais.

Na quinta, houve tumulto e depredações de ônibus em outro ponto, o Terminal Padre Pelágio, o maior do sistema que atende a região noroeste. Houve paralisação de quase quatro horas. Pela tarde, o Terminal Praça A também parou por uma hora e meia.

No início da noite desta sexta, muita gente voltou a ter dificuldade para voltar para casa. Na Rede Metropolitana de Transporte Coletivo, consórcio que reúne as empresas, informava-se que 15 coletivos foram depredados nesta sexta.

Oficialmente, os empresários esperam uma ação da PM que garanta a segurança dos motoristas.

A insatisfação deles tem ligação com uma divergência interna da categoria. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Goiás (Sindittransporte) tem o poder de negociar com as empresas e fez acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Passageiros (Setransp) para um reajuste de 7%. Já o Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano da Região Metropolitana de Goiânia (Sindicoletivo) não tem reconhecimento legal e defendia reajuste de 15%. Os protestos são organizados pelo Sindicoletivo.

Santa Catarina. Mais de 20 ônibus de seis empresas que operam na Grande Florianópolis foram alvo de vandalismo na madrugada desta sexta, em pontos distintos na cidade. Entre 4h30 e 6h30, o veículos das empresas Transol, Canasvieiras, Estrela, Insular, Biguaçu e Jotur tiveram os vidros quebrados enquanto circulavam.

Pela manhã, as empresas fizeram boletins de ocorrência para registrar os prejuízos. Os carros danificados não circularão até que sejam reparados, mas as empresas informaram que não haverá alterações nos horários.

A Polícia Civil e o setor de inteligência da Polícia Militar estão investigando o caso. Eles apuram se as ocorrências têm relação com ataques anteriores, mas ainda não tinham suspeitos ontem à noite.

Em julho, fato semelhante aconteceu: 21 ônibus foram atacados ao longo do dia na Rodovia SC-401, que liga o centro às praias do norte da Ilha. Os veículos tiveram os vidros quebrados por bolinhas de gude. Na época, ninguém foi acusado. /COLABOROU TOMÁS M. PETERSEN, ESPECIAL PARA O ESTADO