Por trás do debate verde, a sombra do prefeito paulistano

Curiosamente, por trás do debate interno do PV paira a sombra dos movimentos feitos pelo prefeito Gilberto Kassab para a criação de um novo partido. Para entender como isso ocorre, é bom lembrar que o presidente nacional do PV, José Luiz Penna, tem sido um constante e entusiasmado aliado político do prefeito.

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

23 Março 2011 | 00h00

Um dos efeitos desse bom relacionamento é o fato de o atual líder do prefeito na Câmara Municipal, Roberto Tripoli, ser filiado ao PV. Outro efeito visível: o secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Jorge, também é verde. Um terceiro: o lançamento do PSD de Kassab, na segunda-feira, contou com a presença de verdes.

A fidelidade de Penna é ampla. Até recentemente ele demonstrava, em conversas particulares, entusiasmo com a atuação do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), apontando-o como uma das revelações mais importantes da política nacional nos últimos anos, talvez até mais que Marina Silva. Parecia apostar na fusão entre o partido de Kassab e o PSB de Campos - projeto que acabou esfriando.

Campos é um dos lembrados para concorrer à sucessão de Dilma em 2014, assim como José Serra (PSDB), amigo de Kassab, e Marina acalenta o projeto de disputar novamente o Planalto. Portanto, não interessa a ela um PV atuando como linha auxiliar do PSB ou do PSD.

A costura de alianças também envolve a eleição municipal de 2012. Um dos nomes cogitados por Kassab é o secretário Eduardo Jorge, verde que já foi petista e é bastante próximo de Serra. Nessa hipótese, o PSD se coligaria ao PV.

Jorge tem apoio de Penna e de outros militantes tradicionais, como o ex-deputado Fábio Feldman. É provável, porém, que o grupo de Marina Silva queira avaliar outros nomes, como o do empresário Ricardo Young.

Após ter sido um dedicado colaborador na campanha de Marina Silva no ano passado, Jorge tem dado sinais de que pode se distanciar dela. Na reunião da direção nacional, no momento da votação sobre a permanência ou não de Penna no cargo de presidente, ele não seguiu o grupo da ex-senadora, preferindo se abster.

O que se discute no fundo é o papel do partido no cenário político. Em 2010, a equipe da campanha de Marina enfrentou resistências enormes para lançar candidaturas próprias nos Estados. Vinham de líderes que seguem a tradição de se subordinar aos partidos maiores. Marina acredita que o PV pode organizar a base, dar um salto e se apresentar como a tão almejada terceira via.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.